A arte sacra chegou ao Rio Grande do Norte no início do século XVII, com as ordens religiosas que auxiliavam os colonizadores portugueses na ocupação da Capitania. Osaldeamentos missioneiros de jesuítas, carmelitase franciscanos, especialmente os primeiros, foramos principais centros de produção da estatuária queoriginou o Patrimônio Sacro hoje conhecido. As peças catalogadas abrangem várias regiões do Estadoe os séculos XVII, XVIII XIX e XX, compondo,em madeira, barro cozido e outros materiais, otestemunho fiel de como arte e religião ajudaram a moldar a cultura e a história do nosso povo

Museu de Arte Sacra • Rua Santo Antônio , 698, Centro, Natal.Terracota policromada. Altura: 56cm e 60 cm, séc.XVII. As peças são originárias do antigo aldeamento de São Miguel do Guajiru, atualmente Extremoz, e guardam semelhanças como o tratamento do panejamento. Outras características marcantes: São Joaquim tem cabelos ondulados, aparados em forma de “U”, típica do período seiscentista, e Santana está de pé, uma representação muito comum no Nordeste.

Santuário dos Reis MagosPraça Engenheiro Wilson Miranda, s/n, Santos Reis, Natal.Madeira policromada. Alturas: Gaspar – 112cm, Baltazar – 83cm e Melchior – 112cm. Século XVIII. O conjunto foi mandado em 1752, pelo rei de Portugal, Dom José I, para o orago da capela da Fortaleza dos Reis Magos da Barra do Rio Grande. A talha é do período tardo-barroco português, com uma fatura bem elaborada, apesar de serem peças de estilo fronteiriço, isto é, entre o popular e o erudito. O panejamento tem caimento natural, sem a movimentação dramática típica do barroco.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos PretosRua Quintino Bocaiúva, s/n, Cidade Alta, Natal.Madeira entalhada e policromada. Altura 106cm, séculos XVII / XVIII. É uma imagem de transição entre os séculos XVII e XVIII. Observe-se a exuberante cabeleira com mechas sobrepostas, típica do século XVII, bem como a ausência do véu próprio desse período no Brasil.
Catedral Metropolitana de Natal, av. Deodoro, nº s/n, Tirol, Natal. Madeira entalhada e policromada. Altura 90cm. Século XVIII. O gestual contido e a fisionomia suave, emoldurada pela elegante madeixa que serpenteia pelo ombro, proporcionam à Virgem muita graça e beleza. A imagem foi encontrada na margem direita do rio Potengi, no dia 21 de novembro de 1753: “Pescadores te acharam, / Com amor te acolheram, / Ó Mãe sem igual, / Entre o Potengi e as águas tranqüilas / Do mar de Natal”.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário, rua da Matriz, nº 309, Centro, Acari. Madeira entalhada e policromada. Altura 109cm. Século XVIII /XIX. O santo é considerado um dos “mártires do Japão”, em alusão aos missionários que foram atados a cruzes e mortos a golpes de lança naquele país. As pontas das armas aparecem sobre os ombros da imagem, raramente encontrada no Estado. Em Acari, as moças costumavam morder a imagem de São Gonçalo Garcia, pedindo a graça de conseguir marido.
Igreja Matriz, Assu. Madeira entalhada e policromada, altura 150cm. século XVIII. Aimagem foi feita em tamanho natural e apresenta fatura e policromia bastante refinadas.
Catedral, praça Monsenhor Walfredo Gurgel, s/n,Caicó. Madeira entalhada e policromada. Altura90cm, século XVIII. A imagem representa Santana Mestra sentada em cadeira de espaldar alto, umararidade na nossa imaginária, que normalmentea apresenta de pé. À esquerda de Santana, estásua filha, com as mãos sobre o livro da Lei. Otratamento da cabeleira da menina é peculiar aosmodelos da época.
Santuário de Nossa Senhora do Rosário, rua Padre João Maria, 207, centro, Caicó. Madeira entalhada e policromada. Altura 86cm, século XIX. Aimagem é bem elaborada, com rica policromia, mas a expressão do rosto não combina com a representação iconográfica inerente à figura. O artista não conseguiu transmitir a dor e o sofrimento da figura, que traz no peito, cravados, os sete punhais representativos das sete dores de Maria.
Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, praça da Matriz, s/n, Barra de Cunhaú. Madeira entalhada e policromada. Altura 75,5cm, século XIX. Aimagem é de fatura simplificada, mas apresenta uma rica policromia. Apesar da simplicidade da obra, pode-se observar uma grande carga emotiva, expressa no semblante facial da figura.
Capela de Cunhaú, Sítio Cunhaú, s/n, Canguaretama. Madeira entalhada e policromada. Altura 67,5cm, século XVII / XVIII. Registros históricos indicam que a imagem ocupava o orago da capela do Engenho Cunhaú, primeiro grande empreendimento açucareiro do Rio Grande do Norte. Em 1645, ocorreu no engenho o chamado “massacre de Cunhaú”, a matança de um grupo de cristãos que o Papa João Paulo II, em 5 de março de 2000, transformou oficialmente em mártires da igreja.
Igreja Matriz, rua Monsenhor C. Cicco, nº 84, Centro, Ceará-Mirim. Madeira entalhada e policromada. Altura 131cm, século XVIII / XIX. É uma imagem-de-vestir, com braços articulados e adereços naturais, e rica em símbolos associados à Paixão. Adramaticidade do tema é enfatizada pelo olhar, pelas chagas, o sangue derramado e os lábios entreabertos em dor e sofrimento. Amão direita apoiada na pedra exprime a tentativa de reter o corpo no chão.
Igreja Matriz, rua Álvares Câmara, nº 236, Extremoz. Madeira entalhada e policromada. Altura 167cm, século XVIII. As características do barroco reforçam na imagem a carga dramática inerente ao próprio tema da Paixão. A carnação porcelanizada destaca a qualidade escultórica da obra. Durante a Semana Santa, a população forra o chão da igreja com folhas de eucalipto, que, ao serem pisadas, perfumam o templo. O ritual remete ao costume judeu de enfaixar o morto com lençóis aromáticos, antes de sepultá-lo.
Catedral, praça Antônio Vigário Joaquim, Centro, Mossoró. Madeira entalhada e policromada. Altura 67cm, século XVIII. Apeça é uma das mais graciosas do nosso acervo de arte sacra, com excelente acabamento e riqueza de detalhes. Observe-se o refinamento e a elegância do gestual; o esmero na movimentação do panejamento; e o equilíbrio entre o dourado, a policromia e o estofamento.
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ó, praça Coronel José Araújo, nº 81, Nísia Floresta. Madeira entalhada e policromada. Altura 126cm, século XIX. “Ó sol nascente, sol da justiça, esplendor da luz eterna: vinde e iluminai os que estão sentados nas trevas e na sombra da morte”. Os versos suplicam ao Altíssimo proteção e ajuda, na antífona natalina alusiva a Nossa Senhora do Ó, cantada no sexto dia, correspondente a 21 de dezembro.
Capela de Nossa Senhora do Bom Parto, av. Joaquim Patrício, 594, Pium, Parnamirim. Terracota policromada. Altura 34cm, século XVII / XVIII. O tratamento inusitado do globo e os demais elementos iconográficos, como os cornos do quarto crescente e a grande serpente, conferem um encanto especial a esta representação mariana.
Igreja Matriz, Apodi. Madeira entalhada e policromada. Altura 73cm, século XIX. Bento era italiano e fundou com a irmã gêmea, Santa Escolástica, a ordem beneditina, da qual tornou-se o patriarca. Na tradição cultural popular, São Bento tem o poder de afugentar cobras: “São Bento, pão quente, / Sacramento do altar; / Toda cobra do caminho, / Arrede, que eu vou passar”.
AgradecimentosUNESCO, MONUMENTA, BIRD, UNICEF, Minc/IPHAN,Governo Federal, Governo do Estado do Rio Grande do Norte,Fundação José Augusto, Coordenadoria de Informática do RioGrande do Norte (CODIN), IGETUR
Fontes: www.monumenta.gov.br /
www.saogabriel.pucminas.br
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