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Artigo em áudio
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A Índia está na sala de visita dos brasileiros. Em horário nobre, a novela
da Rede Globo expõe suas cores e hábitos tão diferentes dos nossos, permeando
tramas românticas que nos encantam e chocam. Mas a India é muito mais
do que os clichês repetidos na telinha. Como suas deidades, que mudam de rosto
e humor, essa nova superpotência da Ásia surpreende o visitante com belezas
e contrastes em uma incrível viagem no tempo que só ela pode proporcionar.
da Rede Globo expõe suas cores e hábitos tão diferentes dos nossos, permeando
tramas românticas que nos encantam e chocam. Mas a India é muito mais
do que os clichês repetidos na telinha. Como suas deidades, que mudam de rosto
e humor, essa nova superpotência da Ásia surpreende o visitante com belezas
e contrastes em uma incrível viagem no tempo que só ela pode proporcionar.
É difícil amar a Índia, disse Jean-Claude Carrière, um dos grandes roteiristas do cinema contemporâneo, autor de um livro em que expõe sua paixão por esse país distante e enigmático. Quarenta dias depois de percorrer mais de 10 mil quilômetros em território indiano, visitar cidades e vilas, conhecer uma parte de seus templos milenares e de sua modernidade caótica, pousar em ashrams de diferentes gurus e interagir com o seu povo em situações que, não raro, desafiam a lógica, peço licença para acrescentar outro detalhe à constatação do cineasta francês. É também difícil, muito difícil, não se deixar seduzir pela Índia. E mais difícil ainda esquecê-la.
Amando-a ou detestando-a – e as duas reações podem ocorrer simultaneamente -, voltamos de lá com um selo indelével aplicado à mente e ao coração, uma marca formatada por choques e êxtases que, de algum modo, nos faz refletir sobre o que jamais pensamos antes.
Mais que misteriosa e mística, a Índia é diversificada e contraditória. E essa predisposição para lidar com os opostos e a acolher tudo, tudo transmutando em seu caldeirão de regras escritas e ocultas, é a primeira causa de espanto para quem chega trazendo na bagagem uma visão idealizada do país.
Não é confortável ver o clichê de um lugar tranqüilo, asséptico e espiritual, onde as pessoas entoariam mantras o dia inteiro, dissolver-se na poeira, na fumaça e na sujeira das ruas, na algaravia constante das multidões – onipresente num país com mais de 1 bilhão de habitantes –, na miséria exposta de milhões de pessoas, na esperteza de certos mistificadores e, sobretudo, no trânsito infernal das cidades, onde pedestres, carros, riquixás (triciclos movidos a motor ou a pedal) e vacas têm que improvisar acordos na ausência de semáforos.
Para alguns, é a frustração de um projeto de vida. “Já vi pessoas que vieram para ficar três meses retornarem na primeira semana”, disse-me o canadense Gilles Bacon, um professor de yoga de Montreal que, pela terceira vez, está passando 1 ano na Índia. “Algumas choram, decepcionadas”.
Amando-a ou detestando-a – e as duas reações podem ocorrer simultaneamente -, voltamos de lá com um selo indelével aplicado à mente e ao coração, uma marca formatada por choques e êxtases que, de algum modo, nos faz refletir sobre o que jamais pensamos antes.
Mais que misteriosa e mística, a Índia é diversificada e contraditória. E essa predisposição para lidar com os opostos e a acolher tudo, tudo transmutando em seu caldeirão de regras escritas e ocultas, é a primeira causa de espanto para quem chega trazendo na bagagem uma visão idealizada do país.
Não é confortável ver o clichê de um lugar tranqüilo, asséptico e espiritual, onde as pessoas entoariam mantras o dia inteiro, dissolver-se na poeira, na fumaça e na sujeira das ruas, na algaravia constante das multidões – onipresente num país com mais de 1 bilhão de habitantes –, na miséria exposta de milhões de pessoas, na esperteza de certos mistificadores e, sobretudo, no trânsito infernal das cidades, onde pedestres, carros, riquixás (triciclos movidos a motor ou a pedal) e vacas têm que improvisar acordos na ausência de semáforos.
Para alguns, é a frustração de um projeto de vida. “Já vi pessoas que vieram para ficar três meses retornarem na primeira semana”, disse-me o canadense Gilles Bacon, um professor de yoga de Montreal que, pela terceira vez, está passando 1 ano na Índia. “Algumas choram, decepcionadas”.
(*) Outras reportagens e crônicas de Jomar Morais estão publicadas no site Planeta Jota – www.planetajota.jor.br













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