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Queenstown - lugar de cores e aventuras
COLUNISTAS - Planeta J
Escrito por Jomar Morais   
Seg, 15 de Junho de 2009 16:08
Artigo em áudio

A pequena Queenstown,a 360 quilômetros de Christchurch, tem pouco mais de 11 mil habitantes, mas recebe nada menos de 1,7 milhão de turistas a cada ano. Para entender esse fenômeno, basta olhar para a cadeia de montanhas que cercam a cidade – brancas de neve no inverno e escuras no verão – e para o enorme lago Wakatipu, de 290 quilômetros quadrados, em cujas águas o sol se põe às 22 horas nas noites de janeiro.

Esse conjunto de belezas naturais é o ápice de uma paisagem de tirar o fôlego, que começa a ser apreciada por quem viaja de ônibus já a alguns quilômetros antes da entrada de Queenstwon, entre curvas da estrada que contorna o famoso Duplo Cone – montanhas gêmeas em forma de cone - e o cânion de águas cor de esmeralda. Um cenário esplendoroso que justifica as locações de O Senhor dos Anéis feitas na região.

Mas o lugar tem mais um motivo para essa enxurrada de visitantes: Queenstown é a capital mundial dos esportes de aventura. A cidade foi lançada no mapa turístico depois que Aj Hacket inventou a poucos quilômetros dali, em Arrowtown, o bungy jumping. Aí começou a corrida de aventureiros e mochileiros e a explosão de modalidades esportivas que colorem céus, águas e trilhas: asa delta, parapente, rafting, jet boating, canoagem... e, claro, esqui no inverno.

Atualmente, os administradores de Queenstown tentam mudar a imagem de pólo de mochileiros, paraíso da cerveja e das festas de finais de semana. Querem mais e mais turistas endinheirados. Já são muitos os hotéis e restaurantes sofisticados e também as mansões de executivos internacionais, mas continua fácil encontrar as pequenas pousadas e hostels tradicionais, como o Albergue da Juventude. No verão, é melhor ter a segurança da reserva. Eu não tinha e tive que vagar por quase 2 horas até encontrar um lugar para dormir. Apenas no segundo dia, consegui me hospedar no confortável Young Hostel à margem do lago, na baía de Queenstown.

A partir de Queenstown pode-se fazer trilhas, margeando o imenso lago ou caminhando por dentro da floresta de eucaliptos e carvalhos que avança sobre as montanhas. Pode-se também visitar vinícolas e conhecer os rastros da época em que a região era um grande garimpo. Mas o primeiro programa é mesmo convencional: não dá para não pegar o teleférico e ir apreciar a cidade do Skyline, complexo que inclui mirante e restaurante no topo da montanha. No meio do caminho está a plataforma de bungy jumping Aj Hackett (desfrute-a, se tiver coragem). E, lá em cima, outra atração: a descida em carrinhos que deslizam em um tobogã de cimento que rasga a montanha sob a forma de túnel. É radical.

O final de tarde traz uma multidão ao largo da marina. É a hora dos artistas de rua e seus números circenses. E também dos humoristas, que exercitam o esporte predileto dos kiwis (como são também chamados os neozelandeses, numa referência ao pássaro nativo de bico longo): fazer piadas com os australianos, seus eternos rivais. É também a hora em que os estádios do país explodem em cânticos e gritos de guerra nas partidas de rugby, paixão nacional, principalmente quando na arena se encontra o famoso time do All Blacks.

Apesar dos novos tempos, o aroma do estilo de vida maori está presente em toda a Nova Zelândia e, principalmente, na região de Queenstown. Ao contrário do que aconteceu na América e na Austrália, onde os europeus praticamente dizimaram os nativos e impuseram sua cultura, as tribos maoris deram muito trabalho ao branco e jamais se renderam. Esquartejaram e comeram muitos invasores europeus, após batalhas sangrentas. A paz com os ingleses, os últimos a aparecerem por lá, só aconteceu mediante acordo que preservou direitos dos nativos, inclusive o idioma, falado atualmente por mais de 530 mil pessoas. A cultura maori permanece viva e se expressa fortemente na arte neozelandeza.

Os maori, vindos da Polinésia, chegaram à Nova Zelândia por volta do ano 850, à procura de pounamu (jade) e de comida (um pássaro moa gigante, hoje extinto). Os europeus aportaram nas ilhas mil anos mais tarde e, com eles, as ovelhas, que estão em toda parte da zona rural do país. Em 1862, um tosqueador descobriu ouro no rio Arrow, abrindo caminho para levas de forasteiros. Em poucas semanas já eram milhares. Depois vieram os chineses. Quando o ouro acabou, na década de 1950, Queenstown tornou-se uma cidade turística e,então, pouco a pouco, o mundo pôde conhecer esse paraíso distante e inesquecível.

Mais textos do Jornalista Jomar Morais: www.planetaj.jor.br

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