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Artigo em áudio
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Num passeio pelo centro de Natal me deparei com uma loja que me fez viajar no tempo. Em época de blue ray, MP3,CD, DVD... tudo parece surgir como num passe de mágica e sumir também na mesma velocidade. Na era digital é assim: lançou, virou mania, comprou, usou e numa rapidez ainda maior o produto parece perder o encanto. Basta um clique para ser substituído por outro capaz de armazenar um mundo de músicas e outras possibilidades num objeto tão minúsculo que chega a desafiar um grão de mostarda.
Tudo vai se resumindo a um quase nada que pode quase tudo. A tecnologia só não consegue ultrapassar a seletiva barreira do tempo que reserva a poucos o direito de permanecerem inesquecíveis. Alguns produtos, como os vinis, deixaram de ser vedetes e se tornam clássicos. Não importa se são enormes bolachões de acetato que dependem de um braço mecânico para soltarem a voz e embalarem paixões.Eles são clássicos por que conseguiram ultrapassar o implacável apelo das diferentes estações e se transformaram numa espécie de túnel do tempo que consegue continuar a exibir a frágil beleza do ontem no competitivo mercado do amanhã.
Escutar um disco de vinil viajando pelas imagens das nostálgicas e protetoras capas de papel é como renovar a esperança de que a história vai permanecer, apesar dos modismos. Isso, graças a atitudes de pessoas como os proprietários da loja “Disco Mania” que têm mais de 10.000 títulos em exposição. Na loja, que fica na sala 16, da galeria Eldorado, na rua Vigário Bartolomeu, no centro de Natal, você encontra desde o primeiro LP da Xuxa, aos melhores do jazz, blues, música erudita, MPB, rock progressivo entre outras raridades como um antigo bolachão de Roberto Carlos vendido pela bagatela de 2.500 reais. Metade do acervo, os donos da loja não vendem, querem deixar de herança para as futuras gerações.













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