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Artigo em áudio
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Eu gosto de feiras. Admiro os lugares em que as pessoas não se preocupam em usar disfarces. Na feira, é assim. Um grita daqui, outro dacolá e, com o passar das horas, os volumes dos gritos vão aumentando numa impressionante resistência de desafinados gogós. Tem o vendedor de remédio para curar qualquer milacria. A mulher do bolo. Seu Zé do Alho e um monte de cliente tentando levar mais por bem menos.
Na feira, a essência das negociações humanas pulsa latente. Vale de tudo! A volta ao escambo, a compra de gato por lebre e até cobiçar a mulher do próximo!É isso mesmo. Na feira, não existem pudores. Até a mais fina das madames sai do salto e vai pechinchar de banca em banca querendo levar a melhor.
Não importa o cheiro de peixe, o ruge-ruge de gente, a gritaria sem fim. Existe sempre uma penca de motivos para ir à feira. Seja para se encantar com a profusão de emoções entre vendedores e clientes, achar aquele produto que você nem imaginou mais que existia, comprar verduras e frutas fresquinhas estimulando o consumo sustentável, ou apenas ficar observando as várias figuras que circulam pelos estreitos corredores.
Em qualquer lugar do planeta, as feiras exalam a refrescante sensação de liberdade. O fruto do esforço dos agricultores e de toda uma cadeia produtiva torna inigualável as multicores dos produtos nas barracas, o cheiro dos temperos e a alegria contagiante de quem sente que o apurado de hoje já deu para garantir o pão de amanhã.
Só mesmo o frenesi das feiras para inspirar as mais refinadas pinturas renascentistas. Eu gosto das feiras simplesmente porque elas são o que são. E isso é tudo!













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