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Tudo foi impressionantemente bom: desde a superação do corpo até a elevação do meu espírito. Na trilha, o cansaço por vezes dificulta o pensamento. O ideal é vencer a ansiedade de chegar, mas por muitas, por várias vezes, só pensamos na chegada, sem lembrar que o caminho é a única certeza de que temos.
No início, caminhei sempre acompanhada, como um bebê que está aprendendo a andar. Depois comecei a dar os meus primeiros passos sozinha, mas ainda preocupada em não me perder do grupo. Já no segundo dia perdi o medo de ficar para trás. Não consegui acompanhar os passos dos que estavam à frente e me conformei em andar lentamente em busca do meu objetivo. Senti que não precisava correr, que iria chegar de todo jeito.
Ao aceitar as minhas limitações aprendi a observar o caminho. Recebi algumas dicas de quem já está na estrada e consegui, aos poucos, colocá-las em prática. O aprendizado foi difícil. Tinha medo de acelerar o passo e ficar ainda mais para trás, com uma asa quebrada. Todavia, a observação dos vencedores é a melhor forma de nos sentirmos fortes. Precisamos reconhecer o mérito dos que estão à nossa frente e aprender com eles. Sempre alguém vai estar um pouco mais adiante, por algum motivo.
Na trilha, os carregadores dão um show de superação. Eles passam por nós como águias experientes que sabem exatamente qual pena acionar para voar mais alto. Nos deixam comendo poeira e com sensação de impotência, diante de tanta força. Na vida urbana, porém, eles parecem pequenos, indefesos diante das diferenças sociais, do poderio econômico que lhes oprime.
A vida é assim: forte e fraca, cheia de surpresas, cheia de possibilidades, repleta de superações. A vida é o caminho. Um caminho onde existem pedras que podem (ou não) ser ultrapassadas. Algumas com facilidade; outras com mais atenção; mas todas podem ficar para trás. Essa é a certeza que conquistamos ao dar o primeiro passo.
Eu não me sinto nem melhor nem pior que antes. Tenho apenas mais certezas e mais forças para continuar. Não adianta querer voar enquanto temos apenas pernas. Porém, a sensação de bater asas em direção ao infinito é real. Podemos ir até onde quisermos. E não precisamos ir para termos a sensação do caminho. Todas as trilhas estão na nossa mente. Todos os meandros somos nós quem determinamos e estamos aqui para fazer outras pessoas enxergarem as luzes do caminho, mesmo que pareçam tão fracas.
Eu não tenho olhos mais fortes, não tenho uma vista mais poderosa. Apenas reconheço que há algo além. Que podemos seguir mais adiante ou diminuir o passo e ficar para trás. Temos a opção.
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