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O medo existe. Ele funciona como o cajado que segue amortecendo o impacto de uma possível queda. A queda existe, mas nossas pernas são suficientemente fortes para seguir à frente guiadas pela força do pensamento. O pensamento, esse sim, é o nosso Deus interno. O nosso elo com o divino e com tudo mais que possa estar bem acima e, ao mesmo tempo, dentro de nós. O pensamento é a nossa fortaleza e o nosso enfraquecimento. É sucesso e derrota. É a busca pelo equilíbrio que garante a nossa satisfação, a nossa felicidade.
A vitória é uma sensação fracional, como um orgasmo múltiplo que nos domina e nos abandona numa fração de segundos. A sensação da conquista - da superação essa sim permanece conosco como uma semente que, se bem plantada, pode gerar florestas prontas para alimentar toda uma cadeia de seres vivos. Mas não me sinto como uma árvore frutífera. Eu me sinto como alguém em busca de adubo para fazer germinar a semente da vida que Deus me deu.
O caminho, para mim, foi um momento mágico. Uma espécie de condutor, de espaço de amadurecimento do fruto gerado por meu esforço. Quando aprendi a correr na trilha, foi como se tivesse aprendido a voar para os braços de Deus. Eu me senti leve, repleta de possibilidades. Senti que o medo, a insegurança, as minhas fraquezas continuavam a me acompanhar, só que agora de forma mais leve.
No segundo e no terceiro dias, cheguei primeiro. Ao perceber isso, dei um passo para trás e deixei o seguinte passar na frente. Não sinto a necessidade de ser a melhor. Gosto apenas de ter a certeza de que posso chegar lá.
Da rocha coesa onde mirei minha vida, uma pedra estava livre, mas permanecia segura pela correnteza das minhas emoções. A pedra do meu coração se confirmou no tronco de uma árvore e nas suas formas irregulares. Da oração, no canto anguloso da rocha em forma de pirâmide, recebi o equilíbrio das águas quentes e frias, cedidas pela natureza protetora e cálida. Da confissão ao padre, senti o carinho das palavras sábias de uma energia maior, que me cuida e me guia, como condutora de suas realizações. E, por fim, a Eucaristia embalada pela canção quéchua foi a celebração do caminho. Como um grande e saboroso ovo de páscoa que dividi com novos e especiais guardiões da grande trilha que é a vida.













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