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Aqui seu moço as flores não têm data para nascer não
nascem em qualquer estação nascem na chuva
nascem no sol, nascem no arder do sertão
Surgem do nada erguem o tudo
fazem a vida florescer, às vezes no cimento
até em dia cinzento elas insistem em nascer
São pequeninas, fortes, faceiras
na beira da pista nascem ligeiras
e torcem para de sede não morrer
Aí o Cristo Bondoso manda o inverno generoso
para o verde franco crescer
E a gente estusiasmado vai logo plantar no roçado
para mais tarde colher .
Aqui nós somos assim, nunca falta fé no jardim
e sobra vontade de viver.
Porque quando diminue a esperança
surge logo na lembrança uma nova flor que vai nascer...
* esse poema foi ditado a mim numa sexta-feira da paixão, às 02:15 horas da manhã. Quem ditou... não sei... mas certamente foi alguém que, num outro plano, consegue reconhecer com intensidade a força sempre latente do fértil sólo do sertão. Você deve ter notado que o texto não tem pontuação. Vírgulas e ponto final não combinam com uma poesia sertaneja. Como no imprevisível ciclo natural da terra nordestina só existem espaços para reticências...
Com Carinho, Glácia Marillac.













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