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Gente que Cuida
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Escrito por Guto de Castro
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Seg, 26 de Outubro de 2009 15:57 |
Fechando outubro, mês da educação, destamos o exemplo de dedicação ao ensino, símbolo vivo de um modelo educacional: Noilde Pessoa Ramalho, diretora da Escola Doméstica de Natal. Natural de Nova Cruz(RN), do ano de 1920. Fez os estudos primários em Natal e foi aluna da Escola Doméstica, onde, a partir de 1940, passaria a lecionar. Em 1945, foi nomeada diretora e desde então, a professora Noilde permanece no cargo que assumiu com apenas 25 anos de idade. Em seus primeiros anos, a escola foi dirigida por diretoras estrangeiras e seguiu fundamentos básicos europeus, mais precisamente suíços. A partir de 1945, o seu ensino começou a ter adaptações gradativas, em busca de padrões brasileiros, graças principalmente ao discernimento e à sensibilidade de Noilde Ramalho. À frente da Escola Doméstica, Noilde vem imprimindo, há mais de meio século, a marca da eficiência, do trabalho, do amor ao ensino. Entre outras realizações, inaugurou o pavilhão de puericultura, fundou a Associação das Ex-alunas, revalidou o curso doméstico de nível colegial, construiu um parque esportivo com ginásio coberto, quadras de vôlei e basquete, piscina e pista de atletismo, construiu e instalou a Biblioteca Auta de Souza, o Centro de Ciências Juvenal Lamartine e um teatro escola com capacidade pra 300 pessoas. Mais recentemente, criou a Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, com cursos de Direito e Administração de Empresas. A história da Escola Doméstica de Natal confunde-se com a biografia de Noilde Ramalho. E vice-versa.
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Comentários
Faz-se necessária essa pergunta: por quem os sinos dobram? Porém, a resposta não poderia ser mais óbvia: Sra. Noilde Ramalho. Os grandes mestres educam por e com princípios; os oportunistas e desgarrados só o fazem por conveniência. Quais as consequências? Estes são sectaristas, retrógrados e mesquinhos, tudo o que ambicionam de fato é uma legião de seguidores submissos, incapazes de pensarem de forma autônoma, como só os miseráveis sabem sê-lo. Quanto aqueles, e nesse restrito grupo de notáveis é obrigatório que se arrole com destaque o nome de Noilde Ramalho, educam para a liberdade, mesmo em época em que ela seja desprezada (refiro-me aqueles "ratos" que amam segregarem-se no poder); educam com isonomia, por isso garantem a unidade em meio a diversidade; educam com amor, por isso é viável o atualíssimo discurso da inclusão; educam para a vida, por isso quando partem deixam uma insuperável e inexorável história. Procuro sempre fazer bem, tendo como inspiração o seu melhor. Sentirei saudades! Cacau, Natal 26/12/2010
Homenagem póstuma: Sra. Noilde Ramalho
Tive sorte. Se essa palavra faz algum sentido, foi exatamente isso que tive. No ido ano de 2007, fui contratado pelo Complexo Educacional HC/ED/FARN na condição de professor de filosofia. Nesta instituição tive oportunidade ímpar de ver, ouvir e conviver com a mais espetacular das mulheres de minha época, mesmo sendo ela de gerações anteriores.
Valores, princípios e crenças, tudo isso pautado por uma ética muito pouco frequente em nosso conturbado universo educacional. O ser ético anda um pouco mais à frente que os costumes e os hábitos adquiridos no convívio social; costumes e hábitos aplicam-se mais propriamente à moral. Ser ético implica em cultivar um modo de ser. Nasce daí uma singularidade, que na maioria das vezes torna-se parâmetro para outros.
Dona Noilde Ramalho foi (é) um daqueles raros seres que facilmente, e não é possível que seja de outro modo, pode ser comparado, copiado, imitado, invejado, mais nunca, jamais superado. Ao formular tais proposições, não refiro-me somente ao muito que ela realizou, isso por si só já bastaria, mas a forma carinhosa, dedicada, determinada e, acima de tudo, visionária com que realizou.
Sobre os que já se foram é comum que falemos bem, e na maioria das vezes que até exageremos. Porém se sobre esse texto, esse for o pensamento de quem o ler, eu afirmo, aqui não há nem resquícios de exageros, diante dessa fenomenal mulher o texto se apequena, não há hipérbole que baste. E isso não é, acreditem, mera figura de linguagem.
Quis o bom Deus que em um dia como esse (natal), onde as pessoas costumam dar mais espaço ao transcendente, a esperança e ao amor, que ela partisse. Em ditosa velhice e com um legado de dar orgulho a qualquer cidadão potiguar, e por que não dizer? Brasileiro; ela nos deixou. Passada às lágrimas, superada a grande dor do momento, distinguiremos ao lado de cada um, principalmente dos que tem como vocação de existência: ser educador, sua alvissareira presença nos concitando a triunfar no amanhecer de cada novo dia. Falaremos, faremos e conseguiremos em anos futuros, tudo aquilo já fazia parte da existência dessa grande mulher na metade do século passado.
Cacau, Natal-RN 25/12/2010
Adelma- Recife/ pe.