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Transporte coletivo ou abusivo?
COLUNISTAS - Ser Cidadão
Escrito por Eugenio Parcelle   
Ter, 22 de Junho de 2010 16:16


Os procuradores do Ministério  Público deveriam,de vez em quando, tirar o paletó e gravata ou trocar o salto fino e alto e, como um cidadão comum, utilizar o transporte coletivo e sentir um pouco o que a grande maioria da população vivencia no cotidiano. Seria uma experiência rica e interessante, mas poucos teriam a coragem. Na verdade, creio que não sabem sequer por qual porta devem entrar – primeiro teriam que observar  os usuários comuns e imitá-los, sem esquecer dos R$ 2,00 da passagem. Fico imaginando a cara del(e)as e começo a rir, sozinho, da cena.
A lembrança  dos queridos procuradores (muitos dos quais sou amigo) deve se ao fato de apreciarem, de vez em quando, casos envolvendo o transporte público, serviço que é concessão do Estado (eih, não sou advogado, será que é esta a terminologia correta?). Pois bem, passei a andar de ônibus – três dias vou de carro e dois de ônibus. No transporte coletivo me sinto povo, com cheiro e traquejo de gente.  Já observaram os perfis de usuários – só de pedintes há uma variedade e criatividade imensa. No meu carro, tenho o conforto e o tempo a meu favor.  O meio de transporte também envolve questões como estresse, poluição ambiental e economia, entre outras que demonstra a complexidade do tema.
A crônica de hoje é inspirada nas idas e vidas no transporte coletivo, como observador anônimo ou mesmo passageiro cidadão.  De repente, quem sabe o Ministério Público não é sensibilizado e toma algumas decisões visando melhorar o que está posto. A primeira questão diz respeito ao direito dos idosos ao transporte gratuito. Foi uma grande conquista, inclusive com decisão do MP. No entanto, a falta de respeito e os abusos cometidos por alguns motoristas deixam a todos indignados. Não é raro o motorista passar direto, quando vê na parada um velhinho sozinho empunhando a carteira de identidade. E nas paradas, é preciso gritar para eles abrirem a porta traseira (Eih, caro procurador, quando estiver na parada, não vá imitar idoso, eles entram pela porta de trás, que é saída para os demais usuários). São vários os relatos de idosos querendo entrar no ônibus e, subitamente, o veículo dispara, provocando quedas graves...
Nestas situações, assim como eu, vários passageiros reclamam do motorista, da falta de educação e respeito para com nossos idosos. Um dia, no conjunto Pirangi, um motorista passou direto numa parada onde havia uma senhora de identidade em punho.
- Motorista, tinha uma senhora na parada. O Sr. deveria ter parado!
-O que vem atrás pega ela, não se preocupe, é de graça e eles têm tempo de sobra.
-Lembre-se disso quando o Sr. ficar velho, o que não está muito longe... disse, fixando o cobrador com um risinho irônico na face. Nunca entendi porque eles usam uma unha tão grande, lembrando Zé do Caixão. Antigamente diziam que era para pegar o vale estudantil, mas hoje é tudo no cartão ou no dinheiro, para quê aquele unhão?
Mas, enfim, a situação do idoso no transporte coletivo merece uma atenção maior do Ministério Público, para que a dignidade seja exercida de fato e de direito. Aproveitando a reflexão, é bom lembrar também do abuso que representa as roletas. Quando vejo crianças bem arrumadas e limpinhas se arrastando por baixo delas, saindo todas amassadas e sujas, fico irritado. E o pior é que está naturalizado, todo mundo acha normal. Acho que deveriam ao menos tirar a ferragem que impede a passagem de crianças maiores, facilitando o acesso dos pequenos.
Para finalizar, é bom lembrar que Crianças e idosos devem ser tratados com prioridade absoluta, como determina os estatutos específicos. Está mais do que na hora de todos cumprirem, simplesmente, a Lei.

Comentários

avatar Francineide Damasceno
Caro Eugenio, infelizmente o despreparo é geral, não só com os idosos. Além da falta de sinalização nas paradas, o turista (fonte de renda da cidade) não pode sequer perguntar onde fica Hotel X, pois os motoristas se recusam a ensinar. Deve haver exceções, mas acho que os empresarios deveriam investir um pouco mais na capacitação desses profissionais. Afinal, quando implantam os chamados "Alternativos", eles reclamam e a população mais uma vez épenalizada, pois a única alternativa é se vai ser maltratada num ou noutro... Na realidade, precisamos lutar por uma política de transporte público de fato...
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avatar glacia
Tá um caos mesmo. Aonde vamos parar?
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