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Analfabetismo funcional no RN:sim ou não?
COLUNISTAS - Ser Cidadão
Escrito por Eugenio Parcelle   
Qui, 19 de Novembro de 2009 14:01
Artigo em áudio

Agora em novembro completa um ano que iniciamos uma batalha para que o Rio Grande do Norte realizasse uma pesquisa visando diagnosticar o índice de analfabetismo funcional no Estado. O trabalho seria realizado pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao IBOPE e expert no assunto. O primeiro passo para isso foi estabelecer um contato com a Secretaria de Educação do Estado, pois sem o aval do governo a pesquisa não poderia ser realizada.

Tínhamos receio, evidentemente. Ora, se não conseguimos vencer o analfabetismo, chaga que se perpetua no País há séculos, imagine se vão investir numa área tão complexa como o “analfabetismo funcional”, que revela dados sobre a aprendizagem real e significativa, mostrando a capacidade de resolver problemas, não somente matemáticos, mas relacionados à interpretação do cotidiano.

Que a educação potiguar anda mal, todos sabem. As pesquisas realizadas pelo MEC já demonstram isso. O que não cabe é ficar colocando a culpa na história, nas gestões anteriores. Tem que se dar um passo para avançar, sair do lugar comum – se bem que mesmo o básico, como ter o professor na sala de aula, transforma-se num desafio moderno, em vista da desmotivação profissional. Assim, uma pesquisa enfocando o “analfabetismo funcional” só iria realçar indicadores, destacar o que todos já sabem. Afinal de contas, que diferencial faria uma pesquisa dessa?

Um dos gurus da modernidade, William Edward Deming, cunhou uma frase que nos ajuda na argumentação em defesa da pesquisa. Diz ele “Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, não há sucesso no que não se gerencia”. Ou seja, para resolver um problema, é necessário ter consciência desse problema, e então construir políticas públicas que sejam efetuadas com eficácia e eficiência, com impactos e resultados positivos. Em tempo: impacto é a mudança que pode ocorrer na vida de uma pessoa, resultado é o que observamos na comunidade.

Uma pesquisa localizada no Rio Grande do Norte permitiria um olhar mais profundo neste “recorte” de política pública, que é a educação, possibilitando um olhar mais adequado nos “gargalos”, visando a definição e execução de políticas mais consistentes. Admiro a governadora Wilma de Faria por toda a sua história de quebrar paradigmas. No entanto, até como professora, sua gestão ficará marcada pelo desencanto na área do ensino. Pela quebra constante de continuidade nos processos – demonstrado sobretudo pela quantidade de secretários que passaram por esta pasta especifica.

Pois bem, a Secretaria de Educação vem empurrando com a barriga a decisão sobre a realização da pesquisa, vencendo pelo cansaço, como se diz no popular. A pesquisa com foco no analfabetismo funcional poderia ser um marco na atual gestão, mas cabe ao Secretário de Educação, Ruy Pereira e a Sra. Governadora a decisão. A história os julgará. Da nossa parte, queremos saber os argumentos da equipe técnica, aprovando ou negando a necessidade da pesquisa. Este documento, para nós, é uma peça importante para a história da educação potiguar e, como tudo na vida, a omissão também tem um peso!

Comentários

avatar Maria de Fátima Pereira da Silva
A Educação no RN é uma vergonha.
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avatar Magnólia Michele
Quanto tempo já se passou entre a postagem desse artigo e o meu comentário, mas se pararmos para pensar um pouco e analisar as características da educação ou "a falta dela" poderemos entender que o "tempo não passou", pois os investimentos nessa área continuam os mesmos, ou seja, quase nenhum. Mas isso é mais que esperado. Pra que gestores querem pessoas alfabetizadas??? Para elas lêem o que falam de ruim deles nos jornais??? Lamento meus caros amigos do Rio Grande do Norte, se a POPULAÇÃO (em letras grandes pra chamar a atenção) não buscar resposta para o que não acontece na educação a vida vai continuar como se não estivesse passando...
Um abraço fraterno.
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