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Todo amanhecer deveria ser de celebração da memória, de culto e agradecimento ao conhecimento, aos grãos de areia que aprendemos e ensinamos a cada segundo. A sabedoria traz um êxtase existencial, perguntas que não tem respostas – e isso é compreensível e bom. Somos um ser de passagem pelo mundo, temos como obrigação deixar este lugar igual ou melhor do que recebemos. E caminhar, simplesmente, na certeza de que o infinito é logo ali, e temos que começar aqui na terra o que esperamos do céu. É como uma corrente, um passando para o outro...
Este preâmbulo remete a importância da educação na formação do humano e construção da cidadania. Do momento que nascemos e somos carinhosamente cuidados por uma família até os instantes da velhice, também recebendo o afeto e a atenção dos parentes, vivenciamos uma espécie de jogo da vida, passamos e experienciamos um “ritual de passagem”. No final de contas, somos todos iguais, com pequenas diferenças. (Para os utópicos, como eu, deveria ser assim, mas sabemos que a realidade é complexa e dinâmica, e muitas vezes dura e cruel, com cenas diárias de violência, desrespeito e ganância, entre outras marcas do tempo.
O que nos une, além dos laços familiares? Sentimentos que surgem do olhar e de culturas enraizadas na mente, representadas por atitudes racionais ou emotivas. É pensar que somos únicos, e que cada um carrega uma parte da história, contribuindo e formatando o todo que representa este tempo. O pequeno grande tempo da nossa vida. E aí vem a pergunta fatal: afinal de contas, o que você quer deixar de marca nesta vida? Ou está preocupado em apenas sobreviver, fazer o feijão com arroz, pagar as contas no final do mês e pronto! Não se deixe enganar pelo bom e velho tempo, aproveite o agora para celebrar a imensa alegria que é aprender a aprender, de ler e escrever, escutar uma bela música, assistir um bom filme, conversar e trocar idéias com os amigos. Também são aulas!
Tudo isso é só para lembrar a importância da sala de aula, dos professores, dos livros e amigos que carregamos com a gente para sempre. A escola é, sobretudo, um espaço de trocas. É o lugar onde recebemos cada dia novas informações e mudamos internamente, sem perceber, pouco a pouco. E, de repente, nos olhamos no espelho e ficamos surpresos e nos perguntamos: este sou eu? Será que ainda vai ocorrer mudanças na minha história?
Autor de “Inteligência Emocional”, entre outros livros, Daniel Goleman cita alguns componentes que considera importantes no desenvolvimento da inteligência emocional, tais como:
- Autoconsciência: ter a capacidade de observar-se e reconhecer os próprios sentimentos;
- Tomar decisões pessoais: examinar suas ações e conhecer suas conseqüências;
- Empatia: compreender os sentimentos e as preocupações dos outros, adotando a perspectiva deles, sem perder o seu referencial; respeitar as diferenças no modo como as pessoas se sentem em relação às coisas;
- Lidar com os sentimentos: monitorar o eu interior para perceber mensagens negativas. Encontrar formas de lidar com o medo, a ansiedade e a tristeza;
- Comunicação: falar efetivamente de sentimentos e saber ser bom ouvinte e perguntador. Saber distinguir o que uma pessoa diz do que você julga que ela diz;
- Auto-aceitação: sentir orgulho de si mesmo, assim como ter a capacidade de rir de si próprio;
- Responsabilidade: assumir compromissos, reconhecer as conseqüências das suas decisões e cumpri-los;
- Lidar com relacionamentos: cooperar, saber quando e como liderar, entre outros.
E aí, percebeu a dimensão do que é ser professor? Infelizmente, poucos percebem a importância da escola para os sujeitos. A busca pelas notas “elevadas” para conseguir passar de ano termina por esconder o fundamental, que é o prazer da aprendizagem cotidiana, aquela que ultrapassa os muros do colégio e transforma o mundo, vasto mundo, no maior e mais belo laboratório de todos. Dê uma volta, olhe ao seu redor. Somos um ser num mundo colorido, visualizamos tudo e pensamos sem parar. Muitos já passaram por aqui e deixaram registrados o que aprenderam como um legado para as novas gerações. Não estamos começando do zero, do nada.
Temos um futuro para construir, então, mãos a obra!













Comentários
Quanta sabedoria. Me senti transformada e transformadora de um mundo melhor, mais justo, mais sustentável ... pelo simples fato de ser professora e poder em minha profissão desafiar crianças, jovens, adultos que são alunos, pais, trabalhadores a encararem a vida como uma grande escola.
Que essa escola possa permitir um caminhar muito mais centrado e assim possamos compreender que somos muito mais do que julgamos ou nos julgam ser.
Um abraço fraterno