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Confesso que tomei um susto ao ler nas páginas dos jornais a crítica do cientista Miguel Nicolelis à gestão da prefeita Micarla de Sousa, sugerindo “o impeachment da borboleta para Natal poder voar”. Já tinha ouvido em vários espaços os reclames do povo e o desconforto da chefe do executivo municipal, numa espécie de onda que a jornalista Micarla – profissional que domina muito bem as nuances da comunicação, não tem conseguido reverter. A proposta de impeachment de um gestor em território potiguar parece caminhar junto aos protestos contra a ditadura no Egito ou o panelaço dos estudantes franceses em defesa das aposentadorias. Enfim, há algo de novo no ar...
Pelo que venho acompanhando ao longo dos anos, inclusive colaborando com algumas organizações não governamentais, os tempos começam a mudar. Não dá mais para ficar fechado em gabinetes com ar condicionado, com belos discursos que, com o tempo, mostram-se falsos. A administração públicaem que mostrar os impactos e resultados que a sociedade exige. Para isso os gestores foram legitimados no poder. Se não estão dando os resultados esperados, a mesma sociedade pode e deve pressionar para que as mudanças prometidas em campanha realmente aconteçam. E aí um conselho: senhores secretários saiam dos seus gabinetes e ouçam os cidadãos nas ruas, eles têm muito a dizer.
Defendo o municipalismo – é nas cidades que as ações acontecem. Defendo a participação popular na gestão publica. Participação de fato e de direito, não a manipulação que ocorre em determinados conselhos de direitos e outros espaços de coordenação da coisa publica. Acho que o orçamento publico deve ser monitorado com eficiência e eficácia. Não há uma lógica na execução orçamentária, mais parece o samba do crioulo doido, ninguém entende. Questões como educação, saúde e segurança são muito importantes para ficar nas mãos às vezes de pessoas sem experiência – e essas entre tantas outras questões dizem respeito a nós, a nossos filhos, ao futuro em construção. A cidade está mudando, assim como o seu povo. A frase de Miguel Nicolelis apenas expressa o que vem sendo dito nas vilas do Alecrim, nos casebres erguidos nas dunas, pelo povo nas comunidades. Se a Prefeita for esperta, vai saber ouvir o grito que está sendo dado, caso contrário às dificuldades vão aumentar, as pressões serão intensas e, sinceramente, não si em que poderá acabar. É preciso prestar atenção nos alertas, ter a capacidade de sinalizar novos caminhos. Muitas vezes o desenvolvimento da cidade ocorre por inércia – cabe ao gestor e sua equipe fazer algo mais, promover a diferença, caso contrário soa como um retrocesso, um sem rumo. O momento é preocupante e quem ama de verdade esta cidade, não pode ficar em cima do muro ou de braços cruzados.













Comentários
Mas, voando pra Natal... A incapacidade dos gestores de quererem enxergar, ouvir, compor, resolver...enfim gerir, quaisquer problemas descritos aqui, sejam de infraestrutura, saúde, educação, etecetera...sei não, hein...Sei sim! Sabemos.
Os espaços públicos gritam sim; buracos, lama, lixo – filhos dos descasos gritam.
Acho que alguém uma hora dessas vai ouvir.
a Mica é o maior Micro de Natal!!!!!!!!!!!!!!