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Artigo em áudio
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Algumas pessoas, porém, preocupadas com as mudanças, chegam a dizer que terão de voltar aos bancos escolares. Outros afirmam tratar-se de mais uma novidade que interessa apenas aos que querem vender livros. Sem considerar o mérito de cada asserção, a reforma ortográfica não é um bicho tão feio quanto se pinta. Vejamos por quê.
Em primeiro lugar, não é a primeira nem será a última. Houve reformas em 1919, 1943 e 1971. Logo, a reforma de 2009 é apenas mais uma a comprovar que a língua é um bicho vivo, em constante transformação.Em segundo, nem todas as pessoas se submetem a esses acordos, embora eles tenham valor de lei. As pessoas mais escolarizadas são quase sempre as primeiras a aderirem às novas regras, não porque gostem delas ou com elas concordem, mas por força social. Há uma estigmatização muito forte em relação a quem comete erros ortográficos. Ao menor deslize ortográfico, um cidadão pode passar por “analfabeto”, o que é tido como um grave insulto.
Muitos brasileiros continuarão a escrever da forma que aprenderam e de acordo com as hipóteses que fazem de como podem escrever para alguém ler e entender o que eles querem dizer. Um exemplo disso é o que se pode ver em algumas barracas de praia em Natal: Faz 38 anos que o acento circunflexo de “coco” caiu (reforma de 1971), mas ainda hoje o processo de compra e venda desse produto não foi abalado em decorrência do uso indevido do acento. De fato, isso não ocorre nem mesmo quando a placa é escrita assim:Nesse e em outros casos, a análise da situação de comunicação faz com que os compradores saibam exatamente o que estão consumindo. Sem sustos.
Na escola, uma reforma ortográfica se torna componente obrigatório entre os conteúdos, porque é da responsabilidade dessa esfera de atividade o ensino. Fora da escola e de outras esferas de atividade que primam pelo uso da norma culta, uma reforma ortográfica pode não fazer a diferença. Em terceiro lugar, é interessante observar que essas reformas alteram a escrita – não a língua – e, no caso da reforma de 2009, as alterações não trazem grandes dificuldades para os brasileiros. Alteram menos de 2% da escrita de nossas palavras. O novo acordo ortográfico não é, portanto, esse bicho de múltiplas cabeças que andam pintando por aí. No nosso próximo encontro, trataremos das alterações ortográficas especificamente.
Até lá!













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