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Acordo Ortográfico de 2009: quantas cabeças tem esse bicho?
DICAS CIDADÃS - Dicas | Educação
Escrito por Glícia Azevedo Tinoco   
Qua, 20 de Maio de 2009 14:31
Artigo em áudio

img Muito tem sido discutido acerca do novo acordo ortográfico entre os países que falam Língua Portuguesa. Embora esteja em vigor desde 1º de janeiro de 2009, há um período de três anos para adaptação ao acordo. Nesse ínterim, não será considerado “grave” o uso de regras da “velha” ortografia.

Algumas pessoas, porém, preocupadas com as mudanças, chegam a dizer que terão de voltar aos bancos escolares. Outros afirmam tratar-se de mais uma novidade que interessa apenas aos que querem vender livros. Sem considerar o mérito de cada asserção, a reforma ortográfica não é um bicho tão feio quanto se pinta. Vejamos por quê.

Em primeiro lugar, não é a primeira nem será a última. Houve reformas em 1919, 1943 e 1971. Logo, a reforma de 2009 é apenas mais uma a comprovar que a língua é um bicho vivo, em constante transformação.Em segundo, nem todas as pessoas se submetem a esses acordos, embora eles tenham valor de lei. As pessoas mais escolarizadas são quase sempre as primeiras a aderirem às novas regras, não porque gostem delas ou com elas concordem, mas por força social. Há uma estigmatização muito forte em relação a quem comete erros ortográficos. Ao menor deslize ortográfico, um cidadão pode passar por “analfabeto”, o que é tido como um grave insulto.

Muitos brasileiros continuarão a escrever da forma que aprenderam e de acordo com as hipóteses que fazem de como podem escrever para alguém ler e entender o que eles querem dizer. Um exemplo disso é o que se pode ver em algumas barracas de praia em Natal: Faz 38 anos que o acento circunflexo de “coco” caiu (reforma de 1971), mas ainda hoje o processo de compra e venda desse produto não foi abalado em decorrência do uso indevido do acento. De fato, isso não ocorre nem mesmo quando a placa é escrita assim:Nesse e em outros casos, a análise da situação de comunicação faz com que os compradores saibam exatamente o que estão consumindo. Sem sustos.

Na escola, uma reforma ortográfica se torna componente obrigatório entre os conteúdos, porque é da responsabilidade dessa esfera de atividade o ensino. Fora da escola e de outras esferas de atividade que primam pelo uso da norma culta, uma reforma ortográfica pode não fazer a diferença. Em terceiro lugar, é interessante observar que essas reformas alteram a escrita – não a língua – e, no caso da reforma de 2009, as alterações não trazem grandes dificuldades para os brasileiros. Alteram menos de 2% da escrita de nossas palavras. O novo acordo ortográfico não é, portanto, esse bicho de múltiplas cabeças que andam pintando por aí. No nosso próximo encontro, trataremos das alterações ortográficas especificamente.
Até lá!

 

Comentários

avatar lidia
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avatar Viviane
Seus textos sempre são muito esclarecedores.
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avatar Danielle
Adorei sua aula sobre acordo ortográfico. Você sabe envolver toda a turma e nos fazer entender a matéria. Realemnte depois dos seus esclarecimentos fiquei mais aliviada quanto à mudança.
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avatar Ézio Walter
Glícia, seus comentários são muito oportunos nesse nosso Brasil de tantas línguas e escritas. Me incomoda o tanto de palavras que encontro escritas de forma incorreta. E o pior que não só em barracas de coco. Encontramos esses deslizes em jornais, revistas, letreiros, anúncios, nas TVs... Mas vamos deixar isso de lado e esperar pelos seus próximos comentários a respeito do assunto.
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avatar Narayana Muniz.
O considerado “momento neutro” utilizado nos veículos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, etc.) realmente causa certo desespero quando notamos alguns “deslizes” ou “transgressões” da norma culta já que os profissionais do meio deveriam refletir serviço à causa do ensino, e não o contrário já que o “momento solene” é acessível a poucos (...)* Bom saber que podemos contar com colunas assim como as da Doutora Glícia: além de tranqüilizar-nos deixa um convite implícito para que voltemos por aqui.
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avatar Roseane Pereira
A Dra Glícia tem razão. Devemos nos tranquilizar sobre estas mudanças. O novo sempre nos assusta, mas iremos nos acostumar. A rotina do dia-a-dia associada com o nosso esforço se encarregará disso.
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avatar laryssa
muito interessante, aguardo novos comentários.
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avatar laryssaasg
gostei muito,posso passar as informações para outras pessoas?? Aprender é muito bom e compartilhar o aprendizado é melhor ainda... Parabéns por todos os seus trabalhos...
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