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Funeral Alegre
COLUNISTAS - Além do Olhar
Escrito por Zeca Santos   
Ter, 12 de Maio de 2009 17:19
Artigo em áudio

Como Assim? Funeral alegre? Você deve está perplexo se perguntando como alguém pode achar um funeral alegre. Não somos orientais e o nosso conceito de morte está bem longe do que pensa o lado de lá. Aqui muito choro, flores, velas, fitas amarelas e variados assuntos sejam eles sobre o próprio defunto, política, e até mesmo aquela velha dieta que tanto adiamos, até porque em funeral lembramos logo de tomar um cafezinho sem açúcar, pois a glicose anda alta nos dias de hoje.

Tive o orgulho de participar do funeral mais esperado por mim. Nunca o desejei tanto. Até hoje me pergunto porque não aconteceu há anos atrás, porque eu o adiei tanto. Pensei: vou enterrar logo este defunto, ou melhor, estes defuntos, me livrar de uma vez por toda desses “mal feitores” e voar livremente agarrado nos arames da sombrinha da Mary Poppins!

Calma leitor, calma, controla a ansiedade para saber quem sãos os defuntos. Não são políticos e nem muito menos aquele vizinho que coloca som nas alturas justamente na hora da novela das Índias, ou do programa mais visto e mais suportado da TV, o nosso queridíssimo Domingão do Faustão. Poxa, você deve está indignado e me xingando: caramba, diz logo quem são esses defuntos porque daqui a pouco quem vai morrer de curiosidade sou eu.

Pronto. Eu falo: os defuntos foram meus cartões de crédito. Sossegou? Respirou aliviado? Quer fazer o mesmo? Não tem coragem? Eu também não tinha. Mas tive.

Mas tudo tem sua hora certa. Você já deve ter visto essa frase em algum lugar. Não sei se ela é desculpa ótima pra quem deixa tudo pra amanhã, ou se realmente somos masoquistas a ponto de convivermos com nossos defuntos há anos sem conseguir enterrá-los.

Nossos defuntos são nossas sombras, elas nos dão “status”, nos revelam uma realidade que cabe somente a nós, mas que a gente muitas vezes diz assim: depois eu vejo isso. Assim eu fazia com meus cartões de crédito, eles me davam muita praticidade, segurança (mesmo com o risco de ser clonado), e até mesmo o sonho e o alívio (apenas imediato) de comprar um celular ou um laptop caríssimo em suaves prestações de dez, doze, e ou até vinte e quatro vezes, velha ilusão sedutora em doses homeopáticas.

Para mim, enterrar meus cartões de crédito foi enterrar um pouco de mim, disciplinar meus desejos, controlar minha ansiedade e perguntar bem lá no fundo: o que realmente e de fato me importa? Segurança? Liberdade? Deus queira que depois de ter escrito isso eu não seja processado por alguma operadora de Cartão, ou melhor, seja convidado a fazer um comercial no Faustão dizendo assim: “FAÇA HOJE MESMO O SEU SEGURO DE VIDA DO SEU CARTÃO DE CRÉDITO E DURMA TRANQUILO...BEM TRANQUILO...”

Comentários

avatar Tati
Zeca, achei ótimo estou precisando com urgência me libertar e enterrar os meu também. Será vou ter coragem? Será que sobrevivo sem eles????
Beijos e valeu
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avatar Aline Alves.
Vc teve recaídas?
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avatar Zeca
Aline tive recaidas sim...kkkk, mas pelo menos estou muito mais consciente e menos ansioso, hoje procuro comprar só o necessário...ando dialogando com o meu "Homem velho" e mudando passo a passo os seus hábiots...Abração.
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