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This Is IT
COLUNISTAS - Cinéfilo de plantão
Escrito por Marcelo Soares   
Sex, 13 de Novembro de 2009 15:14



Um Michael Jackson que pouca gente conheceu. O músico, o dançarino que ensaiava a exaustão, o compositor exigente que cuidava pessoalmente de todos os arranjos de seu show, o coreógrafo cauteloso que participava da escolha dos seus bailarinos. O documentário “This is It” – em uma tradução livre “É isso aí” - lançado na última quarta-feira (28), simultaneamente ao redor do mundo, chega para mostrar como trabalhava um dos maiores gênios da música de todos os tempos.

Muito diferente do jeito tímido, quase envergonhado, com que concedia entrevistas e emissoras de TV, Jackson ficava totalmente a vontade quando o assunto era realizar uma performance ao vivo. É quase inacreditável que alguém mantenha tanto controle sobre tudo que se passa em cada fase da preparação de um mega espetáculo. Michael dá conta dos seus passos de dança, dos arranjos (ele exigia que os músicos tocassem tal qual a canção havia sido gravada no CD) e da gravação dos vídeos de fundo dos telões (os tão atualmente usados backdrops).     

Somente no primeiro fim de semana nos EUA, a Sony havia abocanhado cerca de $ 24 milhões. Até a sexta-feira (30/10) a arrecadação nos Estados Unidos já ultrapassava os $ 35 milhões. O filme ficaria inicialmente por duas semanas em exibição. Porém, com a excelente arrecadação que vem alcançando, A Sony já cogita a possibilidade da película ficar mais sete dias em cartaz na terra do Tio Sam. A meta é, incluindo os lucros dos cinemas ao redor do mundo, atingir $ 600 milhões. Difícil, mas não impossível.

Rodado durante os ensaios da turnê que dá nome ao filme, o documentário mostra um MJ mais humano, bem distante do ícone pop que se tornou. É possível observar que quando se tratava de sua imagem, Michael podia ser bem intransigente. Avesso à mudanças, o filme revela várias das tentativas do diretor da turnê (e do documentário), Keny Ortega, em trazer novas idéias para o show. Todas veemente descartadas. É possível, inclusive, perceber como as idéias de Ortega chegam a incomodar Jackson. Em um ataque de evidente arrogância o astro chega ao cúmulo de não aceitar as orientações de Ortega e afirma que “sentirá” quando for a hora certa de começar a música que ensaiavam.

Apesar de o filme querer vender a idéia de que a turnê “This is It” seria o retorno triunfal de Michael aos palcos, o show ainda possuiria dois pontos fracos: a coreografia do “pai” do moonwalk e o repertório do show. O primeiro: os passos que lhe renderam fama já haviam sido mostrados (insistentemente e exaustivamente) por Michael durante toda a sua carreira. Ou seja, seus movimentos em cena não mostrariam ao público nada de novo. O segundo: o set list também não agregava nada ao espetáculo. Para quem já assistiu, por exemplo, a Dangerous Tour (show de 1997) veria de novo todos os hits do astro lançados até 1995. Cadê “Rock My World” de Invencible (lançado em 2001) ?. Sem apostar em muitas novidades, o show correria o sério risco de se tornar algo do tipo: mais do mesmo.

O que a turnê “This is It” poderia ter sido não tira, no entanto, o brilho de ver Jackson em ação. Durante um dos ensaios, ao perceber que o baixista não está conseguindo acertar o ritmo exigido, Michael simula, apenas com o auxílio de sua voz, o ritmo, o som e a altura que ele quer que o músico toque com o instrumento. Impressionante!

As gravações – que renderam mais de 100 horas de registros - foram feitas até o dia da morte de Jackson, cinco dias antes de toda a trupe se mudar para o O2 Arena, em Londres, onde ele faria 50 apresentações, com primeiro show marcado para 13 de julho último. Todas as datas já estavam com os ingressos esgotados. Para os fãs a nova turnê também seria motivo de tristeza já que mercava ainda o total afastamento de Michael Jackson do show business (em março durante coletiva com a imprensa ele anunciou que este seria sua última turnê).


Onde: Cinemark

Sessões: 12h50 - 15h30 - 18h10 - 20h50 - 23h30

Comentários

avatar Diego Cavalcanti
Um ótimo registro dos últimos momentos da carreira de Michael. Os ensaios têm, na realidade, a cara de um show pra valer. O perfeccionismo do astro pop é um ponto forte do filme. Quem acompanhou a carreira de Michael não pode perder. E quem é de uma geração mais recente, deve assistir pra ver como um mito é construído. Confiram!
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