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Não há em todo o mundo, ou neste País, ou mesmo em nossa cidade uma pessoa razoavelmente normal que não queira se atualizar, através das mídias impressa e televisiva, não somente com respeito ao que sucede em qualquer lugar de nosso planeta, como também àquilo que acaba sempre acontecendo ao vizinho do lado. E o requisito principal não pode variar: alguém precisa se dar mal para que a notícia prenda nossa atenção!
Ou seja. Notícia boa só vale no jornalzinho interno da empresa, pois se criticar alguém do andar de cima, o responsável por haver cometido o deslize haverá de dançar.
O cardápio do dia-a-dia da imprensa diária é variado e suculento. E o mais curioso é que é uma fonte inesgotável de notícias. Algumas boas, outras nem tanto, mas a maioria exibindo o lado cruel da vida, veiculado em todos os momentos, nos meios de comunicação disponíveis! E, como sempre, corremos ávidos por saber dos escândalos e demais imprevistos que estão acontecendo. Com os outros, naturalmente!
O fato novo do momento, e que não mostra sinais de terminar, ainda é o assustador desastre financeiro internacional, que atinge indistintamente a gregos e troianos isto é, os ricos e os menos ricos. Essa situação, com as bolsas subindo ou baixando todos os dias, periga de continuar por algum tempo na ordem do dia. Claro. Não chega a afetar a totalidade dos mortais. É apenas uma questão do caixa de cada um.
Mas a exemplo do que aconteceu com a guerra no Iraque, desfechada pelos americanos para protegerem o Kwait, outros conflitos na região voltarão a prender nossa atenção. E aqui já não é uma questão de caixa. É uma briga feia mesmo. E é também um caso insólito porque o inimigo de ontem precisa agora ser protegido. Na época, perderam os iraquianos 100.000 homens e tiveram seu líder pendurado numa corda. Hoje, decorridos apenas uns poucos anos, a equação do conflito muda radicalmente! O inimigo agora é o vizinho Irã. Então, que viva o petróleo! Ou será o átomo?
Sim. O Irã é agora “a bola da vez”. E a pergunta que não quer calar é se eles vão poder ou não fabricar a sua bomba atômica. É uma situação de impasse à qual se vem a somar outro acontecimento da maior gravidade e que mexe profundamente com o equilíbrio do poder na mesma Região. Trata-se do ataque de Israel – com vítimas fatais – a uma frota de navios que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Israel, embora não admitindo que houve um excesso injustificável, e face à quase unânime pressão mundial, liberou as vítimas da “ação corretiva”, mas já se informa que novos navios de ajuda estão a caminho da área. É um “imbroglio”, complicado, não é mesmo?
De nosso lado do mundo, ainda é bom seguirmos pensando que por enquanto ainda vivemos em nosso país tropical, cuja maior preocupação até semanas recentes era com a Copa do Mundo. E se a torcida nos deixou felizes, ou quase felizes, o melhor é seguirmos embalados em nossas férias. Estas podem ser algures, em nosso entorno geográfico, ou também em nossos vizinhos mais ao Sul. Férias de inverno, por exemplo, com direito a muita neve, com ou sem terremotos, ou então compras a precinhos camaradas, a convite de “los hermanos” .
Mas voltando ao mundo real, onde sindicatos e empregados se bicam por qualquer motivo, mas que podem redundar em ameaças de greve, seguidas de cortes de salários, alguns pensarão: “É só política”. Pode ser. Mas neste momento, ou pouco mais à frente, com o avanço da mão de obra de alta tecnologia, substituindo empregos tradicionais que vão sumindo em ritmo descendente, surgem renovados interesses por um cargo público bem remunerado e vitalício. Pode ser em qualquer lugar, mas no caso a preferência é por Brasília. É curiosa essa preferência por Brasília
Enquanto isso, na maioria dos países, a começar pelos do primeiro mundo, o desemprego é uma tendência mundial e irreversível. O homem está sendo ameaçado pelo surgimento das máquinas inteligentes. As linhas de montagem estão sendo pouco a pouco substituídas pela robótica. Sai mais barato para a grande empresa, que vai demitindo com rigor cada vez maior, e até mesmo estimula a reivindicação poética dos sindicatos por menos horas de trabalho. Dentro de tal clima, ainda há os que pensam numa saída negociada.
Claro, isso não é tudo, pois o noticiário político, como sempre, seguirá cada vez mais explosivo, com denúncias de subornos, roubos, favorecimentos diversos aos amigos e correligionários, e todo um repertorio, certamente muito criativo, destinado por oposição e governo a fazerem valer suas respectivas prerrogativas, para continuarem a buscar, ou usufruírem, das benesses do poder.
Mas eis que, em algum momento, haverá de surgir um raio de luz no horizonte distante, pois como em todas as situações aflitivas, os meios de comunicação voltarão a contribuir (!) para anestesiar nossos temores, plantando sementes de esperança que darão polimento em nosso ego. Quem viver verá!
É nesse momento então, que a exemplo do que acontece todos os dias, tanto nos países pobres como também naqueles ( ainda ) ricos, as notícias boas irão explorar em profundidade as “esperanças de nosso País no momento”, o que poderia ser o futebol, o tênis, o vôlei, o basquete, o atletismo etc., pois sempre haverá uma equipe ou um atleta exponencial que nos representará de forma convincente em eventos esportivos no exterior.
Ao final, a vida, como sempre, seguirá seu curso, e as coisas aos poucos voltarão aos seus lugares, com todo mundo rindo à toa, porque, felizmente, ninguém é de ferro...
Tal conclusão otimista se inspira no pensamento positivo, chamado pelos gringos de “wishful thinking”, que neste caso é caracterizado pelo comportamento daqueles que ainda não desistiram de ver a humanidade seguir seu caminho ao abrigo dos conflitos e dos grandes desastres que irão aflorando, ainda que lá fora, e se apresentam ao nosso julgamento e apreciação por obra e graça da bendita eficiência dos meios de comunicação. E os infortúnios, como sempre, continuarão atingindo...somente os outros, naturalmente!













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