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Artigo em áudio
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Dentro de tal clima, com os conflitos se sucedendo a cada ano, em ritmo crescente, e ampliando-se a todas as latitudes, somando impasses e muitas baixas sem distinção entre afluentes e necessitados, alguém se desleixou na vigilância de um poderoso dispositivo de retaliação nuclear. E sobreveio o Apocalipse detonando então um magno conflito atômico, que por definição não teria vencedores. Claro. O perdedor seria a humanidade.
A catástrofe, ocorrida perto da metade do século inicial do novo milênio, se mérito (!) algum não tivesse, pelo menos acabou com os grandes confrontos e prometeu, a um mundo fragmentado e conturbado, o estabelecimento de uma Nova Ordem. Uma aldeia Universal, sem ódios e sem fronteiras. Sem barreiras de cor, credos, culturas ou religiões. Um mundo com uma definitiva promessa, e um solene compromisso, de zelar pela Paz, para abrigar uma população drasticamente reduzida em relação ao que fora anteriormente!
Na verdade, não fosse pela poeira atômica, em estado de suspensão nas regiões mais atingidas, o principal anseio dos habitantes era o de poder voltar a respirar melhor. E algumas previsões estipulavam tal retorno em mais de cem anos!
Felizmente, tal previsão pessimista seria seguidamente modificada, para mais breve. Decorridas pouco mais de três décadas, viagens exploratórias à periferia das regiões atingidas já se tornavam tecnicamente possíveis, embora ainda arriscadas, sendo autorizadas apenas às expedições científicas. Mas havia esperança...
O mundo, reduzido de forma tão drástica em seus conteúdos físico e cultural, tornar-se-ia um imenso acervo arqueológico sem dono, onde obras de valor incalculável jaziam à disposição de quem as recuperasse, sobretudo naquelas cidades devastadas por bombas limpas, e que por isso mesmo apenas (!) haviam destruído, em sua quase totalidade, as vidas animal e vegetal .
Mas embora alguns países tivessem a contabilizar perdas totais, em outros somente (!) a vida, em suas diversas manifestações, fora parcialmente eliminada, sem prejuízo significativo de suas estruturas físicas. E o cataclismo não fustigou por igual toda a zona conflagrada, pois se houve casos onde regiões inteiras seriam varridas do mapa, pela ação de bombas mais antigas – algumas em estoque desde os tempos da “guerra fria” - de outro lado, o uso de “bombas limpas”, que destruíam a vida mas poupavam as instalações físicas, permitiu aos sobreviventes, no pós guerra, o aproveitamento de inúmeras dessas “instalações fantasma”, existentes em cidades ou áreas esvaziadas totalmente de suas populações!
E houve também casos onde algumas populações conseguiram migrar para zonas menos ameaçadas. Foi o que aconteceu com a Europa e Rússia Ocidental, Estados Unidos e Canadá, cujas populações, reproduzindo de maneira inversa os roteiros do turismo de massa, conseguiram se transferir em grande escala para a África Ocidental e as Américas. Foram ao todo dois milhões de europeus, além de um milhão de russos e outros dois milhões de latino americanos, aos quais se somaria outro milhão de nacionalidades diversas, que lograram desta forma contornar o holocausto fantástico! Foi uma época em que ninguém mais queria ouvir falar de guerra.
Os Estados Unidos e o Canadá – agora um só Estado – pouco sofreram no início da conflagração, mas quando tudo indicava que sairiam ilesos do confronto maior, uma inesperada e irreversível cadeia, originada nas imensas pilhas atômicas americanas, deitou por terra o sonho desse gigantesco Estado de coordenar a Grande Reconstrução. Conseguiu-se, é verdade, organizar um êxodo monumental em direção às regiões ainda não alcançadas, mas se perdeu muito tempo transportando pessoas, materiais, valores e, até mesmo (!), armamentos.
De um modo geral, os remanescentes do conflito, entre os afluentes e aqueles ainda em desenvolvimento, ao não conseguirem se instalar em seus próprios territórios, iriam juntar-se a outros milhões de refugiados europeus, russos, chineses, indianos, japoneses, árabes e outros, agora como hóspedes – no início pouco desejáveis – de Sul Americanos e Africanos.
Segue texto em : http://www.eucuidodaminhacidade.com.br/nat/coti-newton-arguello/245-a-nova-ordem.html













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