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Artigo em áudio
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A vigilância sobre a natureza da riqueza acumulada e a repressão a contas numeradas ou secretas, tornam mais atentos e criativos os detentores do poder econômico, o que contribui para reduzir ou eliminar tal prática na classe de maior poder aquisitivo. Não há espaço, praticamente, para a concentração excessiva do poder financeiro no topo da pirâmide social, pelo menos na forma que conhecemos hoje, mas admite-se que possa haver algumas ascensão em direção ao topo mas isto em função do melhor desempenho ou criatividade de cada um.
É tolerado, portanto, um acúmulo discreto da riqueza, desde que comprovada sua origem. Os direitos de transmissão para herdeiros são muito limitados, condicionados que são à capacidade demonstrada por estes na administração dos bens que se pretende transferir ou herdar. Nos casos de incapacidade comprovada para gerir os bens herdados, 90% do acervo reverte para o Estado.
Mas nem tudo transcorre de acordo com os bons propósitos do Poder Central. Isto porque, as cismas entre as religiões – algumas de caráter milenar – continuam presentes. Ocioso seria comentar cada caso em particular, mas vamos nos deter naquelas que nos são mais chegadas. As “Igrejas de Cristo”. Isto porque, ao longo do desenrolar do conflito maior, muitas igrejas cristãs, reunidas para superar suas divergências, consideram o surgimento de um novo Cristo.
Mas é o anti-Cristo que aparece, com força avassaladora, na pessoa do padre Sorensen, um ex-missionário dinamarquês, colhido em meio à relativa segurança de terras africanas enquanto toda sua família era dizimada no cataclismo que envolveu a humanidade. “Que Deus é esse, dizia, que permitiu que acontecesse o Apocalipse?” “Que pecados cometeram os inocentes?” “Porque o raio atingiu com igual força a justos e pecadores”? “Se Deus existe, porque não adentra o pensamento de cada um de nós, e nos justifica os porquês de tanta miséria e sofrimento?”
Excomungar o anti-Cristo resultou ser um ato precipitado, pois só fez multiplicar a força de sua mensagem, num terreno extremamente fértil e numa época ainda mui próxima ao Grande Desastre. “Afinal, seus argumentos são axiomáticos”. Cedo, o rastilho propaga-se às demais religiões. Igrejas e templos passaram a esvaziar-se, e em pouco mais de um lustro, apenas alguns poucos credos logram reter contingentes ainda escassos de fiéis. A fé seria renegada, como que à espera de que aparecesse um novo Messias, que viesse a pedir perdão aos sobreviventes do Apocalipse.
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Decorridos 50 anos do Grande Desastre, busca-se, ainda, formar uma sociedade ideal. As conquistas sociais são enormes. As expectativas maiores ainda. Mas ainda há muito por fazer. Terra, ano 2080. Alvorada da esperança. Para onde caminhará a nova humanidade ?













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