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Artigo em áudio
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O relato que segue é o registro parcial de umas férias maravilhosas que passamos na Argentina, quando apesar de agnóstico senti a sensação de que as minhas crenças – ou a ausência delas – estavam sendo postas a prova em razão de fatos inexplicáveis que até hoje desafiam tudo aquilo em que eu acreditava até um passado recente.
Ocorreu durante uma viagem que eu e minha esposa fizemos a Córdoba. Era uma visita sem compromisso, para “mudar de ares”. A idéia, na verdade, era curtir um fim de semana prolongado e, ao mesmo tempo, fugir do burburinho alegre e intenso de Buenos Aires. Encarávamos com expectativa essa viagem, que aliás antecipava um variado cardápio de atrativos. Para estimular os sentidos, naturalmente. E era disso que estávamos precisando.
O “cardápio turístico” que havíamos selecionado foi enriquecido, de maneira informal, pelos relatos esparsos que ao longo do tempo vimos recolhendo aqui e acolá, de que aquela região vez por outra teria registrado a presença de discos voadores! Será mesmo? Claro. Embora nutrindo o maior respeito para com a imensa legião de pessoas que aqui e ao redor do mundo afirmam com determinação haverem visto um disco voador, descartamos a informação, e partimos alegremente para nossa aventura de fim-de-semana, sem compromissos com horários e programas, além dos eventuais alienígenas.. .
Contudo, na realidade, não descartamos de forma definitiva tal eventualidade, pois também nos preparamos equipados com filmadora, câmera e binóculos para a possibilidade de aparecerem discos e alienígenas... Afinal, quem sabe? Não é aqui na Argentina que existe um clube que reúne pessoas que já tiveram experiências com ÓVNIS e extra terrestres?
Nós nos alternávamos dirigindo. É uma prática defensiva. Ou, diríamos, de simples precaução. O fato é que sempre quando viajamos por distâncias maiores, enquanto um dirige o outro descansa ... ou dorme. No final, dividimos o cansaço, ou o descanso...
Não sei dizer se o que me aconteceu a seguir foi sugerido pelo cansaço, ou pelos relatos que já tínhamos de ocorrências do tipo “o impossível acontece”. Afinal, não estávamos indo a Córdoba para ver, por si acaso, seriamos também brindados com a presença do imponderável? O fato é que ao chegar o meu turno para descansar e, aliás, nem sei se já havia começado a pegar no sono, eu senti que estava acontecendo algo inteiramente anacrônico. Não sei explicar como nem por que. Mas senti nitidamente que alguém, ainda que não se fizesse presente fisicamente, estava tentando desesperadamente se comunicar comigo.
E estávamos no carro apenas os dois. Ninguém mais. Mas para mim, era como se houvesse mais alguém no carro. Menos mal, porém, é que era uma presença angustiada mas inofensiva. A criatura apenas me dirigia um apelo desesperado para ajudá-la. “Por favor, me ajude! Eu sofri um acidente nesta mesma estrada. Meu carro capotou e caiu numa vala profunda. E todos os carros que passam não se dão conta que estamos ali! Eu, minha esposa e os dois filhos. E não conseguimos nos mover! Estamos do lado direito da estrada, no sentido de Córdoba. E a apenas dois ou três quilômetros à frente de vocês! Por favor, olhem com atenção para a beira da estrada. Vocês já estão chegando perto...”
Minha mulher não entendeu meu súbito interesse em vasculharmos a beira da estrada. Mas, como sempre o faz, me acompanhou sem protestos, embora um pouco curiosa pelo meu súbito interesse em conduzirmos aquela inspeção. E, bingo! Identificamos logo a cena do acidente e conseguimos salvar os acidentados. O resto foram as providências de praxe. Mas foi algo de que nos orgulhamos muito!
É curioso. Quando estamos dirigindo na estrada, e ainda que a uma velocidade normal, sempre temos alguma pressa para chegar ao destino. Nosso objetivo está à frente, e pouco observamos aquilo que está à nossa volta. Contudo, se estamos à procura de algo à beira de estrada seja um indicativo qualquer, o anúncio de um restaurante, uma entrada para uma via vicinal, um sítio histórico ou um acidente de trânsito encoberto pela vegetação, nós quase sempre encontramos o que estamos procurando E foi o que sucedeu.
Cabe, aqui, uma explanação. O que diferenciava em meu sonho essa presença atípica do que seria um ente ou entidade a me dirigir algum tipo de mensagem, ou tentativa de contato, é que tudo fluiu de forma unilateral. Eu sequer tive tempo ou inspiração para pensar em responder. Aliás, responder o quê ? Além disto, embora a mensagem reiterasse haver uma “urgência urgentíssima”, sua própria natureza não sugeria a necessidade de uma resposta. Era um simples, intenso e desesperado, pedido de socorro. Nada mais que isso.
Guardo até hoje o fato de haver registrado nitidamente essa sensação, esse apelo por ajuda, que de imediato me colocou em alerta. Seria uma sensação paranormal? Afinal, na ocasião eu me lembro de haver registrado alguma sensação atípica e alheia a tudo aquilo que eu conhecera até então. E não houve contato físico! Afinal, eu ainda hoje me pergunto. Será que houve realmente o aviso? Ou apenas aconteceu de estarmos olhando para a beira de estrada e, de repente, verificamos que algo estava errado e um acidente havia acontecido?
Mas, de tudo isso, resta a lembrança viva de que eu tinha sido avisado. Ou não terá sido assim?













Comentários
Fantástica esta tua história. Uma pessoa da minha família viveu situação parecida aqui na cidade de Natal. Parabéns pelo texto e a solidariedade.