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A galinha e o ovo
COLUNISTAS - Perambulando
Escrito por Guto de Castro   
Qui, 15 de Julho de 2010 17:15


Pesquisadores das universidades britânicas de Sheffield e Warwick descobriram por esses dias que a galinha nasceu primeiro que o ovo. Para isso, eles identificaram que a formação da casca do ovo depende de uma proteína encontrada somente nos ovários da galinha.
Não sei quanto tempo eles perderam na pesquisa e quanto o governo inglês investiu no estudo com o apoio de outros países ou não. Mas, não vejo utilidade prática nos resultados da atividade.
E daí, o que vão fazer depois de descobrir que a galinha nasceu primeiro que o ovo? Entender como funcionam as soluções naturais, a criação de um ovo, por exemplo, é mais importante do que pesquisar sobre a chegada da galinha na Terra. Esse processo sim pode inspirar novas abordagens para o desenvolvimento de materiais e processos.
Aqui, onde o galinheiro está em franco crescimento ninguém liga muito para isso. Todos querem é produzir mais ovos e mais galinhas a cada dia. E não importa os meios e os fins que justifiquem o mercado.  Vale produzir penosa de todos os tipos e gostos. Daqui mais alguns dias, os donos de granjas-indústrias vão disponibilizar frangos para abate em 24 horas, a custa de duro esforço das galinhas confinadas em verdadeiros campos de concentração e extermínio.
Basta perambular pelos criadores nos arredores da cidade e até dentro dela para constatar o que escrevo. É de dá pena no tamanho do sofrimento das penosas e de quem consome seus derivados. Pois, reduzir o patrimônio genético para aumentar a produção de carne e ovos pode levar a conseqüências imprevisíveis. E isso vem sendo feito em praticamente todos os produtos para o consumo humano.
Não sei se vale à pena continuar investindo dinheiro em pesquisas assim. Mas, penso que uma pesquisa sobre o impacto da carne de frango, boi e outros viventes no organismo humano, por exemplo, terá melhor utilidade do que publicar aos quatro ventos notícias sobre o nascimento primeiro de uma galinha. Pois, do jeito que a coisa anda, o melhor é deixar de comer tudo e passar a viver somente de luz como os gurus da Índia.

Comentários

avatar Gilda Bezerra
Concordo com você Guto de Castro. Você já percebeu que nem a carne de sol tem mais o gosto de antigamente. E o peito de frango? Parece papelão. É tudo produzido com muita química para atender o mercado. Parabéns pelo texto.
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avatar Giulianna Matoso
Agora o que vamos comer? Tudo parece contaminado. Teremos que viver como viviam as primeiras comunidades: produzindo seus proprios alimentos.
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avatar Kall Haringer
É preciso zero tudo. Todos os meios de produção. E começar um novo mundo com foco na ética e o respeito pela vida humana. O mercado precisa respeitar a conição humana e os alimentos terão que passar por essas mudanças também. Gostei do seu artigo Guto. Não o conheço, mas se um dia for a Natal, gostaria muito de adquirir um de seus livros. Parabéns.
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avatar Rodrigo Santos
Realmente você tem razão Guto de Castro: não vejo utilidade direta na pesquisa. Ela não acrescenta nada a já perdida humanidade.
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