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Leio nos jornais que o legislativo municipal resolveu esboçar uma reação a superpopulação de felinos na cidade do Natal. Segundo dados do Centro de Zoonoses a cidade tem hoje 37.455 gatos contra um contingente de aproximadamente 900 mil habitantes, 90 mil ratos e outros 10 mil bichos escrotos.
Não sei por que tanta preocupação. Pois, os felinos são bons caçadores de ratos e ratos são piores para o sistema do que os gatos. Os ratos são traíras, falsos, egoístas e corruptos. Fazem qualquer coisa para abocanhar o queijo público, que nunca é público. Pois, quem paga a conta do grande banquete no final são os contribuintes. Daí a importância do felino para caçar os ratos nos grandes palácios.
No Egito antigo, os gatos eram venerados e considerados animais sagrados. Bastet, a Deusa da Fertilidade da Felicidade, considerada benfeitora e protetora do homem, era representada na forma de uma mulher com a cabeça de um gato e freqüentemente figurava acompanhada de vários outros gatos em seu entorno.
O amor dos egípcios por esse animal era tão intenso, que havia leis proibindo que os gatos fossem exportados. Qualquer viajante que fosse encontrado traficando um gato era punido com a pena de morte. Quem matasse um gato também era punido com a mesma pena. Em caso de morte natural do animal, o farol baixava decreto obrigando seus donos a usarem trajes de luto. Na Pérsia havia a crença de que quando se maltratava um gato, corria-se o risco de estar maltratando um espírito amigo, criado especialmente para fazer companhia ao homem.
A situação somente foi complicar para os gatos na Idade Média. Acusados de estarem associados aos maus espíritos, os felinos foram enviados para fogueira juntamente com as pessoas acusadas de bruxaria. Pois, toda boa bruxa de antigamente tinha que ter um gato preto de estimação.
Da Inquisição para sessão na Câmara Municipal, os parlamentares e meia dúzias de técnicos sugeriram a castração da espécie, que a médio prazo pode significar também a extinção do felino. E sem felino, a farra dos ratos estará liberada no banquete oficial. Entre gatos e ratos, prefiro os gatos. E você?












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