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Um ato de coragem
COLUNISTAS - Perambulando
Escrito por Guto de Castro   
Sex, 11 de Junho de 2010 19:37


É o nome do filme em que Denzel Washington vive o papel de um pai americano, sem seguro de saúde, sem dinheiro, e que tenta salvar a vida de seu filho num hospital de gestão privada. A película lança um olhar cruel sobre um homem comum e até que ponto é capaz de chegar para salvar sua descendência que necessita de um transplante de coração. Sem plano de saúde, ele sacrifica seu emprego, sua casa, seu dinheiro para tentar conseguir pagar o procedimento cirúrgico.

Após esgotar as possibilidades de encontrar um meio de pagar o transplante de coração de seu filho, ele entra no hospital e seqüestra o médico e sua equipe para fazer a cirurgia sobre a mira de um revólver. A atitude do personagem principal é: “- meu filho não vai morrer por eu não ter plano de saúde.”  O final do filme é sempre feliz, o menino faz o transplante, vai para casa e Denzel, no papel de John Q, vai passar alguns anos na cadeia pelo seqüestro do médico e sua equipe.

Lembrei dessa história ao longo desta semana, quando precisei de um Posto de Saúde, em Natal (RN), para levar minha mãe. Não tenho plano de saúde e a peregrinação aos hospitais públicos virou uma verdadeira Via Crucis.  Não temos Saúde, não temos Educação, não temos Estado e não temos Prefeitura. Não temos governo. Pois, governar é amenizar as dores dos mais simples também. Para sorte dos gestores, temos a proteção de Deus. Caso contrário, a situação era bem mais complicada.  

Aqui não é a Espanha, onde um Rei tem a coragem de usar uma instalação pública de saúde, o Hospital Clinic de Barcelona, para extirpar células malignas do pulmão. No Brasil, autoridade, mesmo que esteja longe de ser rei, só vai a hospital público se não houver nada mais por perto. O gestor não confia naquilo que administra e parte logo para uma viagem aos hospitais mais caros do país e do mundo se for o caso. Basta olhar a agenda oficial dos políticos para comprovar o que escrevo.

E por que escrevo tudo isso. Porque a história da minha mãe que começou na segunda-feira, dia 7, em um Posto de Saúde da região Sul da cidade ainda não terminou. Ela continua esperando um atendimento adequado até a noite desta sexta-feira, dia 11. E não é diferente da história de outros nativos que aguardam um socorro dentro de uma emergência de hospital público.

Neste momento há muita gente lendo o que escrevo neste portal. Não se preocupem, não vou seqüestrar ninguém e nenhum hospital. É ano de eleições e o melhor a fazer, já disse a minha mãe, é tentar mudar essa realidade no voto. Essa é a coisa mais certa que temos que fazer. Um ato de coragem para mudar esse país que só mudará, se a gente mudar.

 

 

Comentários

avatar Maruska Santos
É lamentável a situação da saúde pública. Estou com um filho necessitando de uma operação e que está na fila de espera há mais de seis meses. Sei o que essa dor de esperar numa fila o atendimento médico.
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avatar Nilson Gomes
Sinto profundamente pela sua mãe e sei a angústia que você está vivendo em querer socorrer uma pessoa, mas não ter os recursos. Sabe lá o que é não ter e ter que ter para dá. É asssim que estamos vivendo. Espero que você encontre um final feliz para essa história e que Deus sempre o proteja.
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avatar Eugênio Parcelle
Caro, espero que sua mãe esteja melhor. É lamentável o que acontece na saúde. Lembro que, quando criança, não existia saúde privada (pelo menos não tinha este conhecimento). Todas as nossas necessidades eram atendidas pelo INPS. Fiquei em filas enormes,à noite inteira para conseguir ficha. Mas havia um atendimento. Com o SUS e o Médico da família, a esperança era que tudo melhorasse, mas foi exatamento o contrário. O mesmo aconteceu com a educação pública. E o pior de tudo isso, caro amigo, é que nem o serviço privado "de saúde e de educação" vem atendendo a contento. É o caso de perguntar, o governo nunca arrecadou tanto dinheiro como agora, pq não conseque qualificar o atendimento de saúde e da educação?
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avatar Cristiane Barbalho
Sei bem o que você passou esse dias, é lamentavel nos dias de hoje ainda vermos cenas como essa ser tão constante em nossa sociendade.Hoje não tenho mais minha mãe aqui comigo, mas ha alguns meses atraz, embora tenha tido a sorte de me deparar com pessoas que além de terem um bom coração e serem bons proficionais, ainda assim passei por momentos criticos dentro de hospitais com ela, e vi muitas pessoas desesperadas,angustiadas, sem terem a quem recorrer e eu tambem sentia assim, impotente,um nada em meio aqueles corredores...
Um forte abraço, que Deus te abençoe cada dia mais
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