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Notícias da Biblioteca Câmara Cascudo
COLUNISTAS - Perambulando
Escrito por Guto de Castro   
Qua, 17 de Março de 2010 15:03


Volto a Biblioteca Câmara Cascudo depois de anos. E não reconheço o que vejo. As condições são precárias, inaceitáveis para uma casa que tem como objetivo preservar e transmitir conhecimento. É  um local que me intriga e me impressiona talvez por jamais entender a tremenda falta de respeito dos gestores com a memória da cidade.
A culpa não é de seus funcionários, dedicados operadores de um acervo cultural sem recurso, sem padrinho, sem proteção. As elites nunca gostaram desse negócio de livros, ensinar o povo a pensar, ler, aprender. Vivem ainda no século XVI, e todos anteriores a ele, quando o conhecimento era compartilhado com poucos.
E porque conservar livros? Talvez para não preservar o retrato cruel de uma época em que os dirigentes não sabem o que fazer com os livros e que são tão cruéis que também não desejam que outros tenham acesso ao conhecimento. Até porque basta lê um pouquinho mais para saber como são medíocres as elites. E aí aparece uma reflexão: Como essa gente consegue dominar o povo? Será que esse povo é mais burro que a elite?
Não vou entrar no mérito. Volto a Biblioteca Câmara Cascudo.  Lembro-me que ninguém tinha livro de história ou de arte em casa para fazer uma pesquisa. A única solução era desbravar a tão misteriosa e fascinante biblioteca Câmara Cascudo. Era inacreditável ver que ela existia e não era somente uma lenda. 
Duas meninas lutaram para preservar essa história: Zila Mamede e Iolanda Gurgel. Uma paraibana, de Nova Palmeira. A outra norte-rio-grandense, de Mossoró. Ambas, heroínas e dedicadas ao ofício de reestruturação do acervo composto de mais de 100 mil livros. Uma faleceu, nadando pelo Rio Potengi, a outra ainda é bem viva e mora na Rua Seridó, em Petrópolis.
Nascido em berço humilde, chão dos simples, sei das dificuldades do acesso a cultura, ao conhecimento, as universidades. Dói na alma encontrar esse pedaço de memória em ruína.  Essas coisas são complicadas para os mais pobres. Daí o meu reclame. Não reivindico inclusão digital, mas o direito ao acesso a uma biblioteca pública, cheia de livros, digna e gratuita. 

Comentários

avatar Jussier Marinho
Casa de ferreiro, espeto de paú. O ditado cai como uma luva com relação a matéria sobre a Biblioteca Câmara Cascudo. E olha que o estado é administrado por uma professora e que sabe da importância dos livros.
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avatar Luciano Morais
Realmente é uma pena que o trabalho de tantos envolvidos nesssa biblioteca tenha um final assim.
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avatar Marcio Farias
Obrigado meu amigo pelo apoio e reconhecimento do valor e dedicacao que os servidores da Biblioteca Publica Camara Cascudo representam para a Historia e a Cultura potiguar. Nao é o nosso empenho em recupera-la, que fará com que esse monumento de valor inestimável volte a ocupar seu lugar em nossa cidade, é preciso também que aqueles que se utilizam de suas instações e acervos, também gritem e bem alto, talvez assim o seu grito silencioso, seja ouvido por aqueles que podem estender a mão ate Ela. Não eh so poder público que poderá socorre-la, mas também a elite como voce mesmo sitou e os nossos intelectuais que outrora se beneficiaram e enrriquecerão seu conhecimento, através das obras ali existentes. Ainda teremos a Nossa Biblioteca, digna do nome que possui. Nosso muito obrigado, continuaremos contando com seu apoio e de toda comunidade.
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avatar MARIA GIOVANNA
PAI; PARABEMS PELO TEXTO FICOU LEGAL. BEIJOS.
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avatar maria clara
Pai o seu texto esta otimo,bjs
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