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Perambulando pela cidade, vou ouvindo pessoas reclamando das greves. Não é exatamente o melhor período do ano para se iniciar uma greve. Aliás, duas das mais importantes categorias profissionais, por dever ético e moral, não deveriam fazer greve jamais: médicos e professores. A primeira categoria, a dos médicos, por uma questão existencial: todo ser humano tem o direito de ser atendido, independente de possuir ou não recursos financeiros que assegurem sua existência, sua sobrevivência. É como vê um médico evitando socorrer um paciente com dor. É injustificável, anti-cristão e vergonhoso. A vida humana está acima de qualquer luta por melhores salários.
A segunda categoria, a dos professores, por uma questão de ideologia e amor ao próximo. Não se pode preparar uma nova geração de profissionais vencedores com 100 dias de aulas por ano.
Estão fora da sala de aula, crianças pobres, filhos de país pobres e, que provavelmente, os avós não tiveram muitos recursos. São vítimas do sistema como você professor também é. O Estado e a elite nunca desejaram formar doutores nas camadas sociais mais pobres e você com sua greve está colaborando que isso se perpetue.
Faça uma regressão em sua vida e perceba como foi difícil chegar à sala de aula para aprender alguma coisa e depois se formar. Quantos desistiram? Outros se perderam no mundo e você conseguiu vencer. Lutar por melhores salários hoje é só um detalhe, precisamos sim construir uma grande nação para as gerações que estão chegando.
E isso não será feito sem educação e com greves. Não sou contra a luta por melhorias salariais. Mas, é preciso encontrar outras formas de protestar contra o sistema sem as tradicionais paralisações dos serviços que só prejudicam os mais humildes, que infelizmente nesta pátria são uma grande maioria. Vamos à revolução companheiros! Mas, sem prejudicar nossos pares, em nome de nossas crianças e do futuro que o Brasil realmente merece.












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