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Natal é engraçada. Durante o período natalino, dezembro, vive o melhor Carnaval fora de época do mundo. Mas, quando chega o período de folia, em fevereiro, vive momentos de uma intensa tranqüilidade somente vista no feriado do Natal, 25 de dezembro.
Antigamente, quando o país celebrava o Carnaval uma única vez por ano, a festa tinha mais alegria e até sentido. As pessoas esperavam pela folia o ano inteiro e até guardavam dinheiro para comprar uma fantasia e tomar umas e outras atrás de um bloco, de um trio ou nas matinês dos clubes.
Hoje tem carnaval todo fim de semana em alguma cidade brasileira. Viajamos para pular Carnaval todo fim de semana. E neste ritmo vamos carnavalizando outros importantes eventos ao longo do ano: Jogos Olímpicos, Copa do Mundo, Eleições, Brasileirão, aniversários e até sepultamentos.
É verdade. Outro dia uma amiga minha que toca violino em velório de defunto rico teve que acompanhar e agüentar uma viúva ébria cantando para o falecido: “-Você pensa que cachaça e água..Cachaça não é água não...” E nesse ritmo de machinha carnavalesca seguiu toda a família e amigos para a cova onde enfiaram o defunto com direito a bandeira da Portela e tudo mais.
E como tudo de mais enjoa mesmo. Até a folia do Reinado de Momo está ficando sem graça, enjoada . Ninguém agüenta mais. Salvador (BA), Rio (RJ) e Recife (PE) estão nesse pique por questões econômicas: o turismo que movimenta milhões.
Assim como Natal, penso que o resto do país poderia repensar a indústria da folia e a carnavalização do Brasil. Senão, iremos trabalhar apenas quatro dias por ano e brincar o Carnaval o restante dos 361 dias. Dinheiro não vai faltar. Porque para folia e corrupção, esse país sempre teve dinheiro. Mas, que a festa vai perder seu encanto: disso eu não tenho dúvida. Pois, toda a rotina é mesmo sem graça, inclusive a labuta de fazer da vida um eterno carnaval, uma eterna festa.













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