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Esse tal de capitalismo é forte. É capaz de mudar até as datas mais festivas. A cidade do Natal, por exemplo, vive no período de nascimento do Menino Jesus uma folia fora de época, que não é de Reis Magos, denominada de Carnatal.
Sou de um tempo, e não faz tantos séculos assim, que para andar atrás de um trio elétrico não se pagava nada. Hoje, as coisas mudaram, inclusive, o Natal de nossa cidade, e tem gente pagando de R$ 200,00 à R$ 700,00 para correr atrás de um caminhão com alto-falante.
Mas, é isso aí. Alguém tem que ganhar dinheiro para manter a casa. E de olho nesta magia um grupo de jovens da cidade resolveu criar o Carnatal. Já se vão quase duas décadas.
A fórmula é simples: uma boa banda para tocar, um bom trio para puxar e a disposição do folião para percorrer alguns quilômetros entre o Corredor da Folia e as vias adjascentes.
No Corredor da folia, as três classes sociais mais privilegiadas (mediana, média e rica) dividem arquibancada, camarotes e instalações vips. No solo, passa os mais afoitos. Exibem o que acham que sabem fazer de melhor: pular, pular, sambar, sambar. Fora do Corredor, a pipoca, formada por gente mais humilde, brinca porque ninguém é de ferro.
A cidade é assim mesmo, cheia de supresas e feita graças a Deus sobre a vontade da maioria que deseja sonhar por quatro dias que é possível viver sem dor.
Ainda bem, pois existem cidades que compreendem mais a guerra do que o amor. E Natal, por hora, pelo menos celebra essa grande festa entre nativos e turistas sem brigas, discórdias e rancor.
Quem sabe, quando o carnaval chegar em fevereiro, possamos então, finalmente encontrar o Menino Jesus e aí sim: iniciar uma nova vida, um novo ano, cheio de luz, paz e amor.













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