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O carteiro, por mais que diga não, é um profissional que não gosta de carregar livros. Torna pesada a carga matinal que, na sua opinião, deveria ser constituída só de cartas ou no máximo um informativo leve.
Com Helmut Cândido, falecido esse ano, a coisa era diferente. Além de escritor, ele era o filósofo das ruas e becos de Natal. Não era uma gentileza de pessoa. Mas, uma das figuras mais excêntricas do Centro Histórico. Andava para tudo quanto é canto a pé com sua inseparável piúba de cigarro. A impressão que dava é de que ele sempre fumava a mesma piúba e bebia sempre o mesmo trago de cachaça.
Por estes dias andei recordando sua imagem nas ruas cidade. Tantos eventos: Prato do Mundo, Circuito Cultural do Banco do Brasil, Fórum Potiguar dos Pontos de Cultura, Olhares na Praça e Muitos Carnavais. Sabe, o Helmut participava de tudo isso e ainda era um grande consultor.
O ex-carteiro de Câmara Cascudo, era um potiguar que lia Nietzsche em alemão, amava o cinema, Nelson Gonçalves, boêmia e a fotografia. Não dividia fotografia. Quem quisesse que tirasse com fulano, sicrano ou beltrano, mas a dele era só ele, caso contrário não tinha foto.
Velho funcionário dos Correios leu todos os filósofos. Há poucos anos viajou de ônibus para o Rio de Janeiro com a roupa do corpo e R$ 20,00 (vinte reais) no bolso. No retorno para Natal ainda chegou com R$ 1,50 (um e cinqüenta) para tomar um café e comer uma torrada.
Assim era Helmut Cândido, o cara que mais perambulava pelo centro da cidade. Uma figura. Penso que a Prefeitura do Natal, por meio da Capitania das Artes, deveria homenagear esse personagem através de uma estátua em tamanho real, simulando uma de suas caminhadas pelas ruas, avenidas e becos do Centro Histórico da cidade.













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