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Quando o final do ano chegar será essa a pergunta que mais farei, ao longo do ano de 2009, aos educadores das minhas filhas que estudam na escola pública. Diante desta dúvida, vejo que o drama vivido pela minha descendência não é nada se comparado às outras tragédias sociais e morais vivenciadas no Brasil. Por isso, neste dia de hoje não vou falar de um lugar em Natal, mas da cidade, e do país, que eu quero para os meus filhos, netos e bisnetos.
Dados mais recentes, divulgados pelo Instituto Criança é Vida, mostram que 22% da população brasileira, 40 milhões de brasileiros, vivem abaixo da linha da pobreza, incapazes de sequer obter alimentos para sobreviver.
E os números vão denunciando mais misérias: 25% dos brasileiros, portanto mais de 40 milhões, são analfabetos ou não conseguem compreender o que ora escrevo. É bom lembrar que Cuba, Venezuela, Chile, Equador e Bolívia já resolveram essa questão. A Organização das Nações Unidas mostra outros dados complicados da realidade brasileira: para cada mil crianças pobres que nascem, 83 morrem antes de celebrar o seu primeiro ano de vida. Um holocausto, sem fuzilamento e câmaras de gás, vivido silenciosamente nos lares dos mais humildes.
Os números registram ainda uma outra realidade: a injustiça social. Cerca de 1% dos cidadãos mais ricos tem a mesma renda que a soma dos 50% mais pobres, segundo a ONU. Estes últimos vivem como viviam os judeus nos campos de concentração nazistas: vitimados pela fome, pragas e violência, incapazes como cordeiros de esboçar qualquer reação de controle de seus destinos.
Por outro lado, os números da economia brasileira são extraordinários: o PIB em 2008 chegou a US$1,94 trilhões de dólares. O nono na escala planetária. As exportações atingiram US$ 197,9 bilhões de dólares. O índice Bovespa registra em 2009 mais de 50%. Porém, com tanta riqueza não consegue tirar o país do 70º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Para onde vai tanta riqueza e por que somos ainda tão desiguais? Talvez a resposta esteja na velha escola oferecida pelo Estado. A mesma escola que um dia tem aula e no outro manda seus alunos para casa.
Educadores de todo o Brasil: eis aí o desafio maior de mudar tudo isso. Ainda que os seus respectivos salários não sejam compatíveis com a grande missão de transformar a realidade nacional. Que o Dia 15 de outubro, o dia do Professor seja o início da caminhada para as mudanças que realmente queremos fazer. Pelos nossos alunos, filhos e descendentes.













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