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Hoje, vamos para Candelária! Visitaremos o Recanto do Piató. Ao chegar na residência de número 100, por trás do Natal Shopping, olhe bem a terra que foi trabalhada na frente da casa. Você sabe por que este chão é assim tão cheio de plantas e de vida? É porque ali mora um poeta que ama a natureza. Sertanejo de raízes fincadas, nascido rebento da Fazenda Piató, no município de Santa do Matos (RN), José Saldanha é o mais antigo poeta potiguar em plena atividade, beirando 91 anos de existência.
Segundo o pesquisador Bob Mota, Zé teve umbigo enterrado sob a porteira do curral para crescer rico e feliz. Criou-se “batendo beiço” com conterrâneos de fala compassada, sem o contorcionismo verbal dos intelectuais. Conheçe o linguajar do homem da caatinga, com sua terminologia, de cabo a rabo.Cresceu como um errante cavaleiro medieval no polígono da poesia popular, escrevendo repentes caboclos entoados ao som da lira, no reino dos cantadores. Ouviu a poesia entoada por mestres de cantoria que interpretavam a cadência rítmica do coração.
É de um tempo em que os mais inteligentes só possuíam três livros para aprender viver no mundo: a Bíblia, o Lunário Perpétuo e o Cordel. Com estes conhecimentos, Zé Saldanha tornou-se o poeta que é. Simples, de voz mansa e acolhedor. Escreveu seu primeiro cordel em 1935, denominado “O Preço do Algodão”. Depois nasceu o “Orgulho do Povo”, “História do Boi”, “Mandingueiro”, “O Valente Serapião”, “O Velho Catimbozeiro”, “Singéfrida e Ozean”, “A Sogra Nordestina”, “O Matador de Onças”, “O Político e o Povo” e nunca mais parou. Hoje, é sem dúvida, um dos maiores poetas do Rio Grande do Norte.













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