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O Poeta do Recanto do Piató
COLUNISTAS - Perambulando
Escrito por Guto de Castro   
Qua, 19 de Agosto de 2009 16:02

img Hoje, vamos para Candelária! Visitaremos o Recanto do Piató. Ao chegar na residência de número 100, por trás do Natal Shopping, olhe bem a terra que foi trabalhada na frente da casa. Você sabe por que este chão é assim tão cheio de plantas e de vida? É porque ali mora um poeta que ama a natureza. Sertanejo de raízes fincadas, nascido rebento da Fazenda Piató, no município de Santa do Matos (RN), José Saldanha é o mais antigo poeta potiguar em plena atividade, beirando 91 anos de existência.

Segundo o pesquisador Bob Mota, Zé teve umbigo enterrado sob a porteira do curral para crescer rico e feliz. Criou-se “batendo beiço” com conterrâneos de fala compassada, sem o contorcionismo verbal dos intelectuais. Conheçe o linguajar do homem da caatinga, com sua terminologia, de cabo a rabo.Cresceu como um errante cavaleiro medieval no polígono da poesia popular, escrevendo repentes caboclos entoados ao som da lira, no reino dos cantadores. Ouviu a poesia entoada por mestres de cantoria que interpretavam a cadência rítmica do coração.

É de um tempo em que os mais inteligentes só possuíam três livros para aprender viver no mundo: a Bíblia, o Lunário Perpétuo e o Cordel. Com estes conhecimentos, Zé Saldanha tornou-se o poeta que é. Simples, de voz mansa e acolhedor. Escreveu seu primeiro cordel em 1935, denominado “O Preço do Algodão”. Depois nasceu o “Orgulho do Povo”, “História do Boi”, “Mandingueiro”, “O Valente Serapião”, “O Velho Catimbozeiro”, “Singéfrida e Ozean”, “A Sogra Nordestina”, “O Matador de Onças”, “O Político e o Povo” e nunca mais parou. Hoje, é sem dúvida, um dos maiores poetas do Rio Grande do Norte.

Comentários

avatar Daise Miranda
Esse texto papai fez questão de levar para os seus amigos de repartição. Obrigado Guto pela homenagem ao poeta.
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