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Por esses dias passo no largo do Machadão, agonizando entre máquinas, e vem na cabeça à lembrança do gol que não fiz naquele estádio. É verdade que nunca fui um extraordinário jogador, atacante, jogava plantado na grande área do meu time como zagueiro. Mas, de vez em quando era o elemento surpresa nas cobranças de pênalti e na banheira, quando não fazia o gol contra.
Quem joga em campinhos de areia, nas comunidades, sabe da importância de fazer um gol por onde passa. É como um padre que visita uma cidade, se não rezar uma missa na igreja matriz, não tem graça. Assim é o jogador, e principalmente, o artilheiro. Ele tem que deixar sua marca aonde joga.
No tempo de menino, tive a sorte de jogar com grandes craques, no bairro de Candelária: isso por que era o dono da bola. Se a turma não me colocasse para jogar, também não tinha jogo, ia para casa e levava a gorduchinha comigo.
Lembro com saudade dos grandes jogadores do meu time: Afonso Bezerra, hoje promotor público, era um goleador nato. Caio Bezerra, seu irmão era outro brilhante artilheiro e que hoje joga no time da Polícia Federal. Na articulação de meio de campo, Flávio Costa, Baltazar, Berg, Beri e Alex eram imbatíveis. Na zaga, além deste falador, completavam o time ainda Valério, Guiba Mello e Breno Doido que agarrava bola como ninguém. Por várias vezes presenciei o Guiba Mello do lado de fora do campo narrando o jogo. A brincadeira de menino tornou o homem uma dos maiores locutores do rádio AM e FM potiguar – por meio da influência do saudoso Souza Silva.
De vez em quando ainda encontro essa rapaziada por aí. Flávio Costa virou cardiologista, Breno foi embora para Belém do Pará, Beri que podia ser comentarista de jogo nas emissoras de rádios, foi morar em Cidade Satélite. Berg há alguns anos não o vejo. Mas, vai de bem com a vida.
Voltando a nostalgia e do gol que não fiz, jamais joguei naquele glorioso gramado. Mesmo forçando a barra para entrar de gandula nos jogos da preliminar. Fui reprovado por excesso de peso. Restou o consolo de pelo menos imaginar como fora esse gol que nunca fiz no João Machado, antigo Castelo Branco e que agora será substituído como tudo na vida pelo “Estádio Arena das Dunas.”













Comentários
Passando pelo Machadão neste fim de semana lembrei da sua crônica em tela. Parabéns cronista pela sensibilidade e o olhar apurado com que você narra coisas do coiadiano de Natal.