|
{loadposition p6}
|
{loadposition p7}
|
||
|
|
|||
Muito além do convés visualizamos o mar, o céu e depois dele o Universo e quem sabe algum dia o Paraíso perdido será encontrado por uma dúzia eleitos. Qualquer profecia do que vem por aí será um mero exercício de ficção.
Por hora, a humilde condição de animal “racional” nos deixa presos na Terra que agoniza com os mesmos velhos problemas de antigamente e algumas mudanças de planos. Os comunistas, por exemplo, passeiam em um shopping no dia de domingo; sindicalistas trabalhistas se transformaram em patronais; ditaduras caem no Oriente Médio como as geleiras nas regiões polares; a grande América, quem diria não é a mesma depois de 11 de Setembro; até a Suíça, na Europa, já não é essa Coca-Cola toda e a Noruega discute seu futuro depois do ataque terrorista de um fanático direitista.
Vivemos tempos tristes voltados para ganhar dinheiro, consumir e explorar os mais ingênuos. Políticos enganam seus eleitores, empreendedores exploram mão de obra barata, no subúrbio e no asfalto está tudo dominado pela indústria da droga, do sexo e o crime organizado. O Estado já não se justifica, ficou na condição de presidente de Honra de uma sociedade mergulhada na podridão.
Riqueza contra desespero será um dos grandes jogos clássicos da primavera do apocalipse que começa a desabrochar sobre toda Terra. Esses fenômenos já são sentidos na vida comum. Outro dia, almoçava em um desses restaurantes chiques da cidade, onde a elite “civilizada” se deliciava com um volumoso pedaço de carne, que ainda ontem era boi no pasto. Olhei com curiosidade para uma mesa composta de uma família, pai e mãe e uma levada de três filhos. Comiam como comem os leões e seus filhotes na floresta. Partiam a vítima aos pedaços e levavam a boca como uma fome selvagem.
Não se olhavam nos olhos e por um breve momento, pensei ter ouvido um grunido do maior deles, o pai, quando o filho menor ameaçou puxar para o seu lado a parte mais crua do filet mignon. A mãe logo tomou a defesa do macho: “- Filho quem se serve primeiro aqui é o seu pai e depois por ordem sua mãe e aí sucessivamente pela idade de cada um.”
Era uma cena forte de fim de mundo. Imaginei novamente os leões repartindo uma zebrinha no mato. Os mais fortes ficam com a melhor parte da vítima, os mais fracos se contentam como as migalhas. Do outro lado do estabelecimento, o almoço era entre executivos. A mesma cena se repetia: o presidente de uma multinacional se deliciava com a melhor parte da vitela, enquanto os colaboradores se serviam dos restos mortais do animal de acordo com a funcionalidade e o organograma da empresa. Mais adiante almoçavam: dois políticos, um dirigente de uma ONG ambientalista e um rico industrial. Não me pergunte como comiam. Não tenho palavras para descrever, perdi o apetite. Fiquei imaginando como anda a vida aí fora, onde os mais simples estão matando um leão por dia para sobreviver.













Comentários
Abraços, Urs Lackeren (Lugano - Suisse).
Talvez você tenha razão. O mundo já não é essa Coca-Cola. Tenho pensado muito em Lugano, nos vinhos, chocolates. Na Vanessa, Nick e a Gener. Acho que chegou a hora de seguir para a casa dos amigos. Abração. Guto de Castro