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Outro dia, em uma via da cidade, depois de buzinadas e farol alto no rosto, parei o carro na faixa central da avenida, liguei o pisca alerta e pedir para o arrogante motorista do veículo atrás passar por cima. Para minha sorte, o veículo virou o pisca-pisca para esquerda e passou na lateral. O meliante, ou melhor, a meliante, uma linda senhora que dirigia o carro, cheia de maus costumes, baixou o vidro, soltou um beijo em minha direção e foi embora acelerando seu veículo com velocidade bem acima da permitida no trecho urbano.
Diante dessa experiência e outras no trânsito da cidade liguei para o meu amigo Hamilton Rangel, publicitário da Secretaria de Mobilidade Urbana, sugerindo uma campanha de trânsito com o título: “Respeite o meu ritmo e viva melhor no trânsito!” A sugestão é que o pessoal da Semob promova uma campanha que esclareça a velocidade veicular para cada faixa na avenida e assim conscientize cada condutor sobre a importância de respeitar os limites de cada um no trânsito.
Entre o querer e o poder de passar por cima dos outros no trânsito, na vida, existe o conceito de que precisamos respeitar o próximo assim como fazemos na calçada, onde ninguém passar por cima de ninguém. É um princípio de cidadania, ética ou qualquer outra coisa que definimos como mundo civilizado.
Não sei por que tanta correria. A impressão é que todos desempenham importantes atividades e que não podem chegar atrasados aos seus respectivos compromissos. Outro dia seguir um desses condutores apressados e constatei que toda a velocidade que ele aplicou no seu veículo tinha como objetivo apenas chegar ao supermercado e enfrentar horas e horas na fila do caixa depois das compras.
Encontro com o meu amigo e escritor Júlio Ramezoni, no Café São Luiz, e ele esclarece que a causa de tudo isso é a desregulagem, o desequilíbrio. Praticante da Cultura Racional, Ramezoni diz que a fase do pensamento humano terminou. O pensamento parou de funcionar. Para ele, de 193, para trás, o pensamento funcionava, o mundo era mais civilizado e as pessoas mais educadas.
O Ramezoni está com a razão. Talvez essa nova fase não seja a que nossos pais ensinaram e que, portanto, não estamos preparados para vivê-la. Talvez estejamos ultrapassados, fora de moda, e que o legal seja não pensar mesmo, passar por cima das pessoas e ser o personagem principal da história rumo à irracionalidade.













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