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Não gosto de greve
COLUNISTAS - Perambulando
Escrito por Guto de Castro   
Qua, 06 de Julho de 2011 14:49
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Não gosto de greve. Aborrece-me essa história de que é um direito do trabalhador. Não sou contra a luta sindical por melhorias salariais. Mas, a luz da filosofia e da ética: será direito do trabalhador prejudicar outro trabalhador ou filho deste?
A greve dos motoristas de ônibus em Natal (RN), por exemplo, prejudicou mais os trabalhadores e estudantes que necessitavam do transporte do que os patrões.  Agora são os professores com mais de 60 dias de paralisação e os policiais civis com mais de 45 dias. Tem ainda a greve dos médicos na Maternidade Divino Amor (Parnamirim).
Estão fora da sala de aula, crianças pobres, filhos de pais pobres e, que provavelmente, terão poucas oportunidades no futuro. São vítimas do sistema como você professor é.  A greve da Polícia Civil também prejudica os mais humildes que não moram em condomínios de luxo e seguros. E a paralisação dos médicos, na Maternidade Divino Amor em Parnamirim? Ela tira dos mais humildes o direito de nascer e coloca em risco de morte a mãe que não foi atendida
E vem todo o drama desse mundo mesquinho: se o novo Cristo tiver a sorte de nascer em uma manjedoura, na certa não terá educação, saúde, trabalho, habitação, água e alimentação porque o pessoal entrou em greve e crucificou o direito daquele que podia salvar o mundo, ou pelo menos, proporcionar um futuro melhor para sua família.
A greve é burra, não acrescentar vitórias. Ganhos não devem ser materiais somente, mas culturais. Professor ensine melhor, médico atenda melhor os doentes, policial torne as ruas mais seguras e verás como essa gente vai crescer e fazer um novo país.  Eis, a chave da revolução e das novas conquistas. O dinheiro não deve ficar acima do valor humano.
Escrevo essas linhas por estar chateado. E por que havia de estar chateado? Fui estudante vítima dessa ferramenta sindical, vítima da greve dos professores. Fui vítima de assalto em parada de ônibus em dia de greve da policia e voltei muitas vezes a pé para casa, embaixo de chuva, por não pegar a lotação que também tinha parado suas atividades. Os erros do meu texto chinfrim nasceram nas aulas que não assistir de português. O professor sempre estava em greve ou doente.
Hoje, vejo a história se repetir. Agora são minhas filhas que são as vítimas. Poderiam estar estudando, mas já perderam neste ano dois meses de suas vidas fora das salas de aulas. E qual o preço dessa injustiça? Será que elas juntamente com os milhares de estudantes precisam pagar o preço dos salários dos professores?
Como dizia minha avó Maria Geni: “- Só uma coisa me aflige: olhar para minha descendência em casa, quando deveria estar na escola produzindo o futuro.” Eu quero uma lembrança de colégio melhor para os meus filhos do que os duros dias em que passei na velha escola. E quero também para os filhos dos meus semelhantes.

 

Comentários

avatar Marluce Pimentel
Caramba é isso aí Guto de Castro. Tudo tem limite. 60 dias de greve é demais! Já virou vagabugaem. Diga não você também a greve.
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avatar Marluce Dantas
Também estou indignada com essa greve dos professores. Mais de 60 dias com uma greve abusiva.
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avatar Madson Gurgel
O direito a greve deve ser usado com sabedoria. Mas, usar, por exemplo, mais de 60 dias em paralisação é abusivo. A justiça precisa se manifestar com urgência sobre o tema. Pois, prejudica milhares de aluno sem acesso as salas de aulas.
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avatar Ronaldo Azevedo Morais
Quando um jornalista vem a público manifestar o seu direito de falar como cidadão é preciso entender que alí se manifesta um pai de família e mais um trabalhador no Brasil. O Guto foi muito feliz nas suas colocações de pai e como cidadão brasileiro sabe bem o que é nascer ser perspectiva de futuro, diante da velha escola que frequentou. Parabéns jornalista por ter a coragem de falar em público o sofrimento de muitos, mas que vaidosos de suas profissões não tem coragem ou sentem vergonha.
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avatar Geraldo Batista
Ilustríssimo Senhor Guto de Castro:

Processá-lo-ei pelo crime de ser contra greves e vou aproveitar a oportunidade de ir para a cadeia juntamente com você, pois eu nunca aderi a uma greve na UFRN, que servia apenas para economizar giz e energia e prejudicar os alunos.
Entendo que os sindicatos deveriam usar de argumentos para solicitar aumento de vencimento. Essa greve dos professores do Estado já passou dos limites.
Abraços,
Geraldo Batista, seu modesto leitor, apreciador dos seus textos.
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avatar Maurício Gomes
Guto você esqueceu de colocar que muitas vezes você voltou para da escola para casa em uma caminhoneta S10 do pai de Hudson que transportava bode de Parnamirim para Natal. A viagem toda você reclamava do cheiro de extrume na carroceria, onde você viajava juntamente com o Alex. Talvez por isso até hoje você não come picado e nem buchada de bode. Que saudade daquele tempo heim?
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avatar Roberto Montenegro Alencar
Conheço Guto. É uma das figuras mais extraordinárias das ruas, becos e vielas de Natal. Gosta de conversar com os pares, em bares, cafés e botequins. É daí que tira a matéria prima para suas crônicas e livros. A Ribeira, por exemplo, não seria a mesma sem sua presença marcante entre os anos de 1994 e 1998. É um defensor nato da memória da cidade. E, e sempre bom lê-lo aqui e em outras paragens pelos caminhos da sua grande vida.
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