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O amor
COLUNISTAS - Na ponta da bota
Escrito por Buca Dantas   
Sáb, 25 de Setembro de 2010 10:31


O que seria da existência sem o amor? Não seria. Conforme algumas tradições o universo teria surgido do vazio, do Caos – de todo o incomensurável, rude e bruto indefinível a que pertencia a massa disforme e confusa antes do princípio das coisas. E desse lugar do “não ser” surgiram os deuses primordiais. A Terra [Geia, Gaia ou Vesta – a sagrada mãe universal, mãe de todos os seres e a origem de tudo] foi a primeira a emergir do Caos. Em seguida desperta Eros, o deus do amor – responsável pela “liga” amorosa entre tudo o que habita o novo universo, aquele que vai possibilitar a procriação de tudo que compõe a massa corpórea.
A energia do amor é avassaladora e forte. Não há ser que possa opor resistência ao Amor, pois ele é a força cósmica que fecunda e multiplica, potencializando a perpetuação da vida e inspirando simpatia entre os seres para que se unam. O Amor é responsável pela união e ordenação das diferentes forças do universo e da afinidade universal.
Entretanto, diria Camões que “Mas como causar pode seu favor/ Nos corações humanos amizade,/ se tão contrário a si é o mesmo Amor?” Se tão contrário a si, é de se pensar muito mesmo. O Amor pode estar em qualquer lugar, sob qualquer aspecto mesmo que pareça o seu contrário. Mas para perceber o amor temos, antes, que ter a predisposição para amar.
E falo aqui não da forma piegas de amar, não do amor idílico, não do amor romântico, não do amor literário e nem do mítico. Falo do amor mesmo, presente no oxigênio do qual seu corpo se nutre agora, das relações interpessoais às quais você experimenta neste momento, da oportunidade que você tem de interferir positivamente na vida de alguém.
O amor não é um sentimento estanque e nem está em algum lugar distante e fantástico. O amor sempre esteve a sua disposição e fazendo parte de todo o seu ser. Não é algo de que se toma para realizar uma terceira coisa, pois que já faz parte de você antes mesmo de se dar conta de sua existência. Amar não é realizar tarefas com finalidade demonstrativa, mas intrinsecamente ter a delicadeza de se por na condição de aprendiz de absolutamente tudo.
 

Comentários

avatar Elvira
Puxa, que apaixonado!
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