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Estamos na época das comemorações Natalinas, como se sabe. Uma das versões aponta que a festa foi criada pelos romanos – para as Saturnálias quando trocavam presentes e otras cositas menos pudicas - e aproveitada pelo Papa Libério em 354. Em nossa cidade o Natal é todo tempo, por força do nome, e chegado o mês de dezembro os enfeites papainoelizados se espalham por ruas, avenidas, fachadas de lojas e tudo quanto tiver relação com a cristandade presente na maioria dos que moram do lado de cá do oceano atlântico.
Mas o que estamos vendo simplesmente não dá pra acreditar. Representações pobres [não a pobreza da falta de recursos material, mas de recurso de pensamento], instalações vinteecincodemarçopaulistanizadas sobre a mais festejada das datas de aniversário em nossa cidade [para ficar somente em nosso quintal].
Isso que está espalhado pelas ruas da cidade é o resultado de quatrocentos anos de colonização local. É o que de melhor nós conseguimos fazer. Os habitantes locais elegeram quem pagou, que por sua vez [e calcada em seu patrimônio cultural individual] tomou a decisão de contratar quem executou. Lamentável, pois já está feito. Figuras completamente alienadas do que minimamente está presente em nosso vastíssimo acervo mítico, simbólico, lúdico e fantasioso.
A cultura é [como educação, saúde, habitação, vestuário e comida] bem primário. A cultura está presente em toda e qualquer atividade humana. Por isso mesmo permeia a movimentação orçamentária de todo o planeta. É a partir de bases culturais [individuais e inerentes aos agrupamentos sociais de que são oriundos] que gestores tomam suas decisões.
Aqui não poderia ser diferente.
Muito se fala sobre o “fantasma de Cascudo”, por força da pungente presença do mestre nos mais variados assuntos. Mas é que do quintal à calçada, passando por tudo que possa existir dentro de uma casa [incluindo os seus moradores e costumes], Câmara Cascudo matutou e deu sua impressão a custo de muita pesquisa.
É lamentável mesmo que em sua cidade [de Cascudo] tenha sido adotada uma ambientação natalina tão pobre. Não tem substância. Não diz nada, não reforça nada e não provoca a reflexão que a data enseja.













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