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Artigo em áudio
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Hoje é sexta-feira. E Daniela quer ir à festa. Parada bacana, com gente jovem como ela. Vai ser na casa de um amigo que conheceu recentemente. Carlinhos. Gente fina. Mora na Vila de Ponta Negra. O convite foi feito por telefone, e-mail e... ao pé-de-ouvido. Carlinhos insistiu que Daniela estivesse lá.
“Você pode chegar na hora que quiser, desde que seja depois das cinco da tarde, quando a festa já deve ter uma galera”, disse ele na saída da escola. Ela ficou muito animada. Não vai muito a baladas. Até que gosta, mas sempre desiste na última hora porque perde a coragem de enfrentar a ida e volta. Não tem carro e “andar de ônibus é osso!”
Daniela mora no outro lado da cidade, em Redinha Velha, com a mãe e uma tia solteirona. Tem muitas possibilidades de se divertir em seu próprio bairro. Tem até praia, de graça (ainda), mas acaba fazendo a opção de ficar em casa. Não que prefira, mas só em pensar em entrar no coletivo...
“Não tem como, mãe. Essa cidade foi feita só pra quem anda de carro”, Dona Margarida, repreende “deixa de ser preguiçosa, minha filha. Que é que tem as calçadas serem altas e baixas?”. Isso, dona Margarida! Já pensou? Não sair de casa por causa das calçadas e buracos. Essa é boa. E em dia de chuva é que ela nem se atreve a dar umas voltas pela rua, “e nem pense que vou com você. Tenho muito o que fazer, trate de ir sozinha”.
O vestido está sobre a cama. Ela já terminou o banho. Daniela está de frente para o espelho, penteando o cabelo e decidindo se vai para a festa. Dia de sol. O ponto de ônibus fica a uns cinquenta metros de sua porta. Daniela finalmente pensa decidida que “não importa se as calçadas são altas, que eu vá sozinha, que eu peça para as pessoas sempre um favor, que muita gente não me respeite”. Botou o vestido, passou o batom mais vermelho que tinha, um perfume maravilhoso, pegou sua cadeira de rodas e encarou a cidade













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