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Artigo em áudio
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Não se falava em outra coisa. “A gripe do porco já infectou meio mundo de gente” e no noticiário [TV, internet, rádio e boca-a-boca] só se tratava de como não se tratava a tal da “gripe suína” sobre a qual não se tirou notícia de que um porco sequer tenha contraído o famigerado vírus. Mas, por via das dúvidas, alguns países tocaram fogo em milhares de animais. Antes tivessem os jogado na lama! Já pensou se a gripe fosse detectada em notas de cem dólares?
Mas Pacífico não vacilou. “Malando é malandro, Mané é Mané”. Ele é um rapaz esperto e com vírus não se brinca. Viu na televisão que pra coisa o único remédio era usar máscara. Ele até chegou a pensar que deveria ser por isso que o Zorro [que se aventurava pelas bandas do México, antes das terras serem surrupiadas pelos EUA e bem antes ainda do estardalhaço que a FIFA fez proibindo os jogos da Libertadores por lá] usava aquela máscara de malaco que era. Já pensou beijar a Zeta Jones pingando pelas ventas? Melhor prevenir.
Pacífico trabalha de gerente de uma próspera e lucrativa rede de distribuição. Era chefe, mas não o manda-chuva. E tinha que cuidar da saúde. Mens sana in corpore sano. Acordou cedo naquele dia e se preparou para entrar na batalha. Organizou a beca, preparou o repasto de desjejum [média de café-com-leite e pão-com-margarina], botou uma máscara cirúrgica na cara e saiu balançando os braços. Melhor cair no batente em cima do salto do que por baixo dele.
O dono do pedaço. O cidadão mais prevenido, alinhado, joiado e bem-informado de que a baixada tinha notícia. “Dessa gripe famosa aí, a do porco, é que a mulher da foice não se apaixona por mim”. A rapaziada não gostou muito da notícia de que o feijão preto foi suspenso “por ordem médica”. Mas Pacífico era o gerente. Manda quem tem poder e obedece quem tem juízo.
O trabalho seguiu na mais perfeita normalidade naquele dia. A distribuição funcionou como nunca. A segurança da empresa reforçada e a turma até feliz porque Pacífico não exigiu o uso obrigatório das máscaras cirúrgicas. Quem sabe das coisas não entrega o pulo-do-gato e ninguém entendeu a mudança de visual do chefe. Se era pra usar máscara, melhor usar camiseta. Afinal, se tiver que trocar bala com a polícia o visual tradicional fica mais apropriado.













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