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SOS: Sem dó nem piedade
COLUNISTAS - Desafios Urbanos
Escrito por Francineide Damasceno   
Seg, 04 de Maio de 2009 22:00
Artigo em áudio

Eram seis horas da manhã. Quando retornávamos de uma festa, encontramos um cãozinho. Pequeno porte, assustado, cego de um olho, atordoado em meio aos carros que trafegavam em alta velocidade. Paramos, pegamos o bichinho no colo e tentamos durante quase duas horas encontrar seus donos.

Sem sucesso, resolvemos levá-lo lá para D. Emília, uma senhora caridosa que tem como missão resgatar e cuidar de animais em risco. Emília com sua casa cheia de cães, disse não ser possível ficar com “Jack” (nome colocado por nós) pois sua casa estava superlotada. Resolvemos então levá-lo conosco, mas sabíamos que não havia a menor condição de ficarmos com o bichinho.

Vamos ligar para uma ONG que se diz protetora de animais: SOS Animais, aliás havia oito dias que os coordenadores desta Organização tinham aparecido na TV como os benfeitores dos animais. Telefonamos e a única coisa que poderiam fazer era colocar a foto de “Jack” em seu site. Essa á a tarefa de uma Organização que se diz apta a ajudar a cuidar dos animais? Nada podiam fazer.

Apelamos para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), mantido pela Secretaria Municipal de Saúde, conforme orientação recebida. Não foi menor a surpresa, tristeza e indignação. Uma senhora chamada “Piedade”, nos informou que em até cinco dias recolheriam o animal e esse, por sua vez, passaria oito dias no Zoonoses. Caso não aparecesse o dono nesse período, ele seria sacrificado. Piedade nos perguntou como era e como estava o cão. Respondemos que ele parecia ter sido criado em ambiente familiar, mas já era de certa idade e tinha um olhinho cego.

Pasmem! D. Piedade de imediato nos informou que nesse caso sequer aguardariam os oito dias, Jack seria sacrificado de imediato! Santa Piedade... sem opções a Via Crucis de Jack continuou... Não tínhamos onde deixá-lo! Ninguém o queria! Até Piedade queria executá-lo de imediato! Eureca! Deixá-lo em um Pet Shop, poderia ser uma solução! Mas ... não tivemos coragem! Então... que tal deixá-lo de presente para um parente! Não seria justo, iríamos transferir o problema para outro...

O jeito era rezar para encontrar alguém que se sensibilizasse com a situação e adotasse o Jack. Felizmente conseguimos e tudo parecia bem, até que Jack mesmo rodeado de carinho, resolveu fugir outra vez! Prá gente, restou o consolo de que procuramos fazer o melhor e salvá-lo do sacrifício, mas ficou a dúvida: A QUEM recorrer? Os animais abandonados estão condenados a morrer quer seja pelas leis naturais (fome, sede, doenças...) ou pelas oficiais? E, caso seja velho e cego, terá como única solução a morte sem piedade?

Fica nossos questionamentos: Pra que serve uma Organização que cuida dos animais se nada pode fazer além de nos encaminhar para D. Piedade que quando não mata em oito dias, executa de imediato? O Centro de Controle de Zoonoses controla o abandono matando os cães doentes e sadios? Não existe nenhuma Instituição apta a receber esses animais?

 

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