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Artigo em áudio
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Novembro de 2009: são 20 anos da queda do Muro de Berlim e o mundo inteiro comemora a liberdade de ir e vir, de ter, de ser, de conhecer, de encontrar e reencontrar não só dos alemães, mas de todas as nações que, com raríssimas resistências, parecem ter assinado um novo pacto de convivência.
Aquele nove de novembro também foi uma prestação de contas com quem resistiu ao ponto de doar a vida em um esforço extremo de atravessá-lo, àqueles que durante 28 anos permaneceram distantes de seus amigos, familiares, amores...
Aquele muro não separava só ruas, praças e casas ele trouxe toda uma simbologia da separação e, agora, da união dos mundos e, acredito, que também a possibilidade de enxergarmos além do fator financeiro, um mundo único com seus algozes e mocinhos.
Algozes e mocinhos que construindo ou derrubando muros, nos fazem lembrar outros muros. O muro dos que têm oportunidade e os daqueles que estão perdendo até mesmo a esperança; o muro de quem em nome de uma “representatividade democrática” massacra a população que cada vez mais carece de políticas públicas inclusivas; o muro da desigualdade social, mais globalizado do que nunca, um muro além dos 167 quilômetros que tinha o de Berlim.
Assistindo esta semana um programa televiso sobre milhões de crianças de todo o mundo que comungam uma infância em meio à miséria, ao abandono e as drogas, percebo quão difícil será a derrubada desse muro que mesmo sem ser de concreto é talvez o mais sólido dos muros.
Brasil, África, Inglaterra, Estados Unidos, onde quer que procuremos, encontraremos nossas crianças e jovens sem esperança, sem mais querer acreditar que são o futuro. Morrendo e matando. Sendo violentados a cada segundo em seus direitos constitucionais, ao tempo em que em nome dessa constituição, vão sendo punidos e, consequentemente, a barbárie vai se instalando.
Em particular, no Brasil, são 20 milhões de crianças e adolescentes que estão crescendo na pobreza e no abandono. Segundo dados do IBGE, 40% das crianças brasileiras entre zero e 14 anos têm renda familiar inferior à metade de um salário mínimo e vivem em condições miseráveis.
A droga se alastra, cada vez mais devastadora. Matando famílias, amores, filhos e pais. O tráfico se coloca como alternativa de sobrevivência para muitas dessas crianças e adolescentes que amanhecem e adormecem sem enxergar o Estado na mais simples de suas necessidades: escola, lazer, capacitação profissional, entre outras.
Até mesmo a família, quando as tem, está ausente em busca da sobrevivência. As instituições que ainda traziam certa esperança estão se desmoronando como referencial, antes idolatradas.
Orçamento para implantação de políticas públicas como o projeto da escola em tempo integral, inexiste. Equipamentos estatais que auxiliem pedagogos e pais a corrigir os seus alunos e filhos, inexiste. Como também começamos a enxergar tudo isso como algo distante, inexistente e quando menos esperamos a violência está ao nosso lado, na escola de nossos filhos, na rua em que moramos. Nas cadeias e Unidades superlotadas e desumanas que ao invés de reintegrá-los, os integra com mais propriedade ao mundo do crime.
Maus-tratos, torturas e outros tratamentos desumanos substituem a escolarização, profissionalização e outras atividades que poderiam levar essas crianças e jovens à sociedade, pois como bem diz um amigo, elas nunca estiveram lá, sempre viveram à margem, sem nenhuma oportunidade, sem conhecerem ou usufruírem dessa tal constituição que lhes impõem deveres e castigos, os direitos? Ah, os direitos...












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